Relatos de Parto sem Medo

Luciana

A ideia do parto natural surgiu antes da minha gestação. Eu queria engravidar, estava preparada para as mudanças no meu corpo, mas não suportava pensar que seria cortada numa cesariana ou mesmo no parto normal (episiotomia). “Não queria que me cortassem sem necessidade”. Para minha alegria, pesquisando na internet, descobri a existência de um parto sem cortes e com o mínimo de intervenção médica/hospitalar e medicamentosa: o parto natural humanizado.

A partir daí teve início minha busca por um obstetra comprometido com a humanização dos partos, a fim de que meus desejos e necessidades fossem atendidos. Então conversei com meu ginecologista/obstetra na época, perguntei o que ele achava do parto natural e ele me respondeu que a medicina já havia evoluído demais para eu querer sentir dor, disse ainda, que o corte do períneo (episiotomia) era sempre necessário. Esta não era a resposta que eu queria, mas a que eu precisava para trocar de médico.

Enfim grávida, marquei uma consulta com o Dr. Alberto Guimarães, indicado em uma lista da internet dentre os pouquíssimos obstetras humanizados na cidade de São Paulo, me convenci de que ele seria meu obstetra logo na primeira consulta quando afirmou, com muita segurança e simplicidade, que não marcava cesarianas e caso eu quisesse um parto cesáreo me indicaria um colega, disse também que a episiotomia era um procedimento ultrapassado. Me enchi de esperança, encontrei o que buscava, era o primeiro passo rumo à minha ideia inicial, mas não era tudo, sabia que o parto natural era um parto ativo, eu faria meu próprio parto, o obstetra somente acompanharia e interviria se necessário, então passei a me preparar para o grande dia, continuei a praticar, moderadamente, as atividades físicas que já praticava, iniciei a yoga para gestantes, frequentei palestras sobre parto humanizado, li sobre o assunto, tive o apoio do meu marido, pratiquei o epi-no. Escolhi ser protagonista do meu parto, e foi assim, da primeira à última contração!

Entrei em trabalho de parto com quarenta semanas e quatro dias de gestação. Neste mesmo dia passei em consulta, foi realizado exame de toque, eu estava com 2 cm de dilatação e minha bebê perfeitamente posicionada. Saí do consultório por volta das 14hs sentido leves pontadas de cólica. Somente por volta das 18hs a sensação de cólica se tornou mais forte e contínua, resolvi tomar um banho e me deitar um pouco pensando que passaria, mas saí do banho sentido também dores lombares e um misto de cólica uterina e intestinal, evacuei. Depois disto, por volta das 20hs comecei a perceber as contrações espaçadas de 13min a 10 min, tinha fome, comi um iogurte e algumas colheradas de mel que me deram energia para suportar as contrações cada vez mais intensas e frequentes durante as quais ficava de pé com o tronco inclinado para frente e as mãos apoiadas na parede, nos intervalos relaxava andando pela casa. Aproximadamente 1h 30min depois comecei a sangrar, era o colo do útero se abrindo, a doula chegou em seguida e sugeriu que eu tomasse um banho, a água quente e as massagens aliviaram muito as dores, fiquei no chuveiro por mais de 1h e só sai para evacuar, enquanto fazia força no sanitário secretei também o restante do tampão mucoso que já vinha saindo em partes há duas semanas. Posso dizer que as contrações naturais, não induzidas, são perfeitamente suportáveis, nosso corpo de mulher é preparado para senti-las, o maior desafio é controlar a mente, viver cada contração a seu tempo, uma de cada vez, sem pensar em todas que ainda virão, lembrando sempre que elas passam e que você terá o momento seguinte para se recuperar.

Cheguei na maternidade do São Luís às 24hs, com dilatação total (isto só foi possível graças ao acompanhamento experiente da doula Thaís Bárral), as contrações ficaram mais espaçadas e menos doloridas, agora sentia uma grande vontade de fazer força, era o início do período expulsivo, na minha opinião o mais difícil foi encontrar a posição para fazer a força de expulsão, cada mulher encontrará a sua a seu tempo, eu acabei parindo de cócoras, agachada com o tronco inclinado para frente segurando na base da cama, puro instinto!

Hoje sei que o parto natural é muito mais do que um parto sem cortes, é a oportunidade de vivenciar uma experiência única, de ser mulher em sua plenitude, desempenhando ativamente o papel que a natureza nos confiou com exclusividade: dar à luz! Acreditem, nós podemos, nós temos a Força para gestar e parir nossos filhos!

Aline Rossi

Minha bebê dorme profundamente, com dois meses de vida. Venho escrever meu relato de parto, após ver as fotos desse dia tão emocionante.

Minha DPP era 23/04/2014. Dia de São Jorge. Embora não seja devota (mas sou corintiana!), o dia desse santo é marcante para mim, pois já aconteceram diversas coisas importantes comigo nessa data.

Tinha consulta com Dr. Alberto, obstetra que me atendia, nesse dia, na parte da manhã. A secretária me ligou para avisar que ele tinha ido acompanhar um parto e não poderia atender. Sugeriu remarcar para outro dia, mas eu pedi para ser no mesmo dia mais tarde, pois já estava com mais de 40 semanas de gestação. Ela conseguiu.

No período da tarde, minha mãe foi comigo à consulta. O consultório estava lotado e tivemos que esperar em pé no corredor. Encontramos a Ju, obstetriz que trabalha com Dr. Alberto e também acompanharia meu parto, e conversamos rapidamente.

Enfim, depois de uma boa espera, fui atendida. Dr. Alberto, como sempre, gentil e de bom humor. Fez ultra e o primeiro exame de toque de todo o pré-natal. Nenê posicionada e 1 cm. de dilatação. Fiquei feliz! Tive contrações no consultório. As danadinhas já vinham dando as caras, mas eram fracas e bem espaçadas. Ele orientou a deixar uma consulta marcada para a semana seguinte, mas disse que qualquer coisa a gente se encontrava antes, na maternidade!! Minha mãe perguntou se podíamos sair para comer naquela noite, ele disse para irmos tranquilamente.

Pegamos um táxi e fomos a uma padaria deliciosa, perto da casa da minha mãe. Ela perguntou se eu queria o buffet de sopas e caldos, mas eu disse que não, que queria um lanche. Comi um belo x-egg salada (bem diferente da alimentação balanceada e acompanhada por nutricionista que segui durante toda a gestação!). Disse a ela que eu achava que jamais me esqueceria daquele lanche e chorei. Uma dorzinha na barriga foi ficando mais forte.

Pegamos outro táxi, que a deixou em casa e me trouxe para a minha. Isso já era umas 10 da noite, marido me esperava. Conversamos um pouco e fui tomar um banho. Uma dor incômoda na costela... Conversei com a Stellinha, achava que era ela me chutando. Me vesti e fomos dormir.

Durante a noite, alguns incômodos na barriga, mas como durmo bem, coloquei um travesseiro para apoiar a pança, virei para o outro lado e dormi de novo! Isso aconteceu umas 3 vezes durante à noite.

Acordei às 6:30, com vontade de ir ao banheiro. Senti algo úmido. Sentei no vaso e percebi que saia água. Dali mesmo comecei a chamar o Luis, dizendo: “Querido, acho que a bolsa estourou!”. Coitado, levantou na hora, rs!!!

Mandei mensagem para a Ju e para a Thais (doula). Depois de um tempo, liguei para a Ju, que me orientou a contar as contrações e falar com a Thais. Falei com ela, que viria para minha casa em seguida. Tomei um banho, segurando no suporte de shampoo durante as contrações, haha.

Ficamos eu, Luis, Rita (que nos ajuda em casa), Thais e Chico (meu cachorrinho).Thais fez um monte de coisa bacana, aromaterapia, escalda-pés, me deu homeopatia, conversou comigo e me passou muita tranquilidade. Consegui comer umas torradas e tomar um chá.

Lá pelas 11, as contrações já tinham se intensificado e fomos para o hospital (São Luiz Itaim). Minha mãe me ligou no caminho, no meio de uma contração! Foi assim que ela soube que eu tinha entrado em trabalho de parto!!! Chegando lá, a Ju nos encontrou. Luis e Thais foram para a recepção cuidar da burocracia e eu fui ser examinada. 4 para 5 cms. de dilatação, eba! Fomos para a delivery room, para parto normal.

Luis demorou para poder subir. O dia 24/04/2014, cheio de 4, fez um monte de gente agendar cesárea, além de ter um feriado na semana seguinte, e não tinha quarto disponível. Mas como eu estava em franco trabalho de parto, tiveram que me aceitar. Ele foi para a delivery ainda sem assinar a internação, pela indisponibilidade de quartos.

Eu estava na bola de pilates, já na partolândia. Fiquei ali um bom tempo e chegava a cochilar entre as contrações. A lombar já não parava de doer nem nos intervalos. Ju perguntou se eu queria ir para a banheira e eu disse que sim. Nossa, foi maravilhoso! Me relaxou demais!! E o resultado foi que a Stella desceu mais. Sentia muita pressão, Ju me examinou, 9 cms. de dilatação. Fiquei mega contente!!! Meu marido ficava ao meu lado o tempo todo, conversando e fazendo carinho.

Fiquei ali mais um tempo, mas estava ruim para a Ju ouvir o coração da pequena. Saí um pouquinho, mas não quis voltar. Comecei a tentar posições para o expulsivo e a melhor foi de cócoras, apoiada na banqueta, em cima da cama. Dr. Alberto, que tinha pegado um mega trânsito, chegou. Novo exame e 10 cms. de dilatação!!! Muita pressão e vontade de fazer força. Agarrei o Luis com o braço direito e a Thais com o esquerdo. Nas contrações, fazia força. Falei então para a Stella que ela podia vir, que eu estava pronta. Me disseram que a cabecinha estava saindo e me perguntaram se eu queria por a mão. Claro que sim! Fiz o primeiro carinho na cabecinha da minha filha!!!

A cabecinha saiu e depois de mais algumas contrações, o corpinho. 15:44. Dr. Alberto a aparou e me entregou. E eu jamais me esquecerei desse momento em que nos conhecemos e uma família se formou. Já não havia mais dor alguma, só uma enorme euforia!!!

Depois de alguns minutos, Dr. Alberto cortou o cordão (Luis não quis, estava agarrado com a gente). A placenta saiu, a Ju nos mostrou. Gratidão por ela, por ter nutrido minha filha. Stellinha mamou na primeira hora de vida. Depois foi para o colo do papai, pois tive uma pequena laceração e precisei levar alguns pontinhos. Somente depois disso, a pediatra a examinou. Não recebeu colírio, como pedimos. Foi tratada com carinho.

O único porém foi a dificuldade em conseguir o quarto. Ficamos na delivery até 10 da noite, sem poder receber visitas. Mas minha pequena ficou junto comigo o tempo todo.

E desde então, não nos desgrudamos nunca mais.

Aretha Mergulhão

Depois de 18h de trabalho de parto Benjamin chegou, no dia 20/11, mostrando pra mim que o controle da vida não está nas minhas mãos e nem na de ninguém.

Muita coisa saiu diferente do que tinha planejado sim, mas o meu objetivo principal, que era esperar seu tempo de vir ao mundo e fazê-lo chegar nele da melhor maneira possível foi cumprido.

Obrigada, antigo obstetra, por me dizer que ser diabética tipo 1 não me permitiria esperar meu filho nascer no momento dele e que ele não poderia passar de 38 semanas de gestação. Isso me fez buscar informação e descobrir que além de esperar o tempo dele eu poderia sim enfrentar as horas que antecederam seu nascimento e curtir a chegada ao mundo do meu pequeno de 4.780kg e 55cm, em um inesquecível parto normal!

Obrigada, esse sim de verdade, a equipe do Parto sem Medo, Dr Alberto Jorge Guimarães, a obstetriz  Juliana Freitas  e a doula  Thais M. Bárrall  que estiveram comigo nessas longas, porém mais que recompensadoras 18h. Me ajudando a enfrentar as dores, cansaço e ansiedade que surgiam com o passar das horas. Ainda bem que no mundo existem pessoas dispostas a realizar um trabalho especial, tornando um momento incrível uma experiência ainda mais sublime.

Ao Lucas Patricio eu não sou nem capaz de explicar o tamanho do meu agradecimento. Por estar do meu lado ao longo desses 9 meses, apoiando minhas decisões e no final de tudo me emocionando com um depoimento que conseguiu descrever melhor do que eu mesma o que foi essa transformação nas nossas vidas, principalmente na longa reta final dos dias 19 e 20.

Obrigada aos amigos pelas mensagens deixadas e por todas as boas vibrações que vocês têm mandado pra gente! O discurso de ganhadora do Oscar acabou, mas o prêmio que eu recebi vai deixar essa sensação de satisfação pra sempre.

Damiana

A nossa Manuela chegou dia 02/08/2014 as 4:36 da manhã por meio de uma cesariana necessária após cerca de 13 horas de trabalho de parto.

Era assim que eu tinha planejado? Não, não era. Planejei um parto natural, na banheira, com a Manu nascendo e vindo para os nossos braços igualzinho o encarte promocional do filme renascimento do parto.

Mas a minha filha, que me ensina uma coisa nova todo dia, me ensinou durante o seu parto que para as melhores coisas da vida não tem como planejar o começo, meio e fim.

Quando fiz 42 semanas de gestação decidimos em parceria com a equipe induzir o parto normal (depois de muitas tentativas menos invasivas de indução). Chegamos na maternidade as 10 da manhã e já no final da tarde eu comecei a sentir as primeiras contrações.

Como entramos em trabalho de parto por meio de medicamentos, as contrações não vinham tão espaçadas quanto eu desejaria e em pouco tempo eu já estava na partolândia.

Que delícia que é a partolândia. Lá você não se importa em demonstrar sentimentos, emoções, gritar e chorar um monte.

Lembro de falar pra minha doula e pra obstetriz: "Que sacanagem, me falaram que tinha tempo de descansar entre as contrações, quero dormir!!!" Depois de falar isso milagrosamente conseguia dormir e até sonhar por 30 seg ou 1 min que era o tempo que duravam os meus intervalos.

Na partolândia fiquei por umas 7 ou 8 horas (pelo que me disseram... Lá não tem relógio e nem calendário) até que chegou a hora do expulsivo.

No expulsivo fiquei por umas 4 horas. Lembro de rezar, imaginar praias, viagens, ganhar palavras de carinho e incentivo da equipe e do meu marido. Sentíamos a cabecinha da Manu o que dava força pra continuar, mas ela não descia. Na ultima meia hora, pedi analgesia não tinha mais forças.

A analgesia me ajudou a ter força por mais meia hora, parei de sentir dor, mas também parei de sentir as contrações e tinha dificuldade de direcionar a força. Mesmo com incentivo de todo mundo, a bebê não vinha foi aí que o obstetra nos disse que ela estava mal posicionada, possivelmente defletida e sugeriu a cesariana.

Foi um momento muito difícil pra mim e para o Vini, mas ao mesmo tempo transformador. Ele chorava e me dizia que era injusto, que eu tinha sofrido tanto pra acabar na cesariana que eu não queria... Me pedia desculpas por não ter demonstrado tanta confiança em alguns momentos do trabalho de parto... E dizia que o que eu tinha feito naquela noite ele nunca ia esquecer, que a força que ele viu em mim nunca imaginou que pudesse existir no mundo... Amei mais ainda aquele homem.

Tomamos a decisão. Não chorei. Não era necessário. Olhei bem nos olhos do pai da minha filha, do meu amor e falei que não tinha passado por nenhum sofrimento, que eu tinha tido tudo o que eu desejei... Entrei em trabalho de parto, tive contrações, gritei, chorei, ri e com tudo isso minha menina pôde saber que a hora dela chegar estava próxima... Vamos para o centro cirúrgico... Vamos conhecer a Manuela.

A equipe foi incrível e fez com que a cesárea fosse mais humanizada possível. Minha Manu não sofreu nenhuma intervenção desnecessária, não fui amarrada, depois que ela saiu da barriga ficou no nosso colo o tempo todo e a primeira hora de vida dela foi bem juntinho da gente mamando bastante.

O nascimento da minha filha foi o melhor momento da minha vida, agradeço à nossa família e amigos pelo apoio, à Clodine Jany Teixeira que me apresentou ao parto humanizado, aos nossos amigos sempre presentes, aos grupos parto nosso, roda gestante, nove luas, ao gama e à commadre, ao filme renascimento do parto, à todas as mulheres que contaram a sua história de partos humanizados e inspiraram minha busca, à Juliana, Thais e Dr Alberto da equipe Parto sem Medo, à Glenda, Carol e Luiza pediatras que nos acompanharam no parto e pós parto e à minha doula Thielly.

Agradeço especialmente ao meu marido e à minha filha.

Vini vc é um homem maravilhoso que está sempre ao meu lado. Vc foi marido, doulo, médico, enfermeiro e acima de tudo meu parceiro em todo processo. Vc é o meu amor da vida. À você Manuela, minha filha, sou grata por ter me escolhido como mãe e por você ser uma filha tão incrível. Amo vocês tão grande que me emociona. Vcs dão sentido à minha vida.

Fabilene Nogueira

Depois de tanta curiosidade e pedidos para que eu relatasse meu parto, resolvi fazê-lo para guardar este momento e quem sabe desmistificar e informar outras amigas, e ratificar para as adeptas! Farei tudo de novo se tivermos mais frutos!...

Vou relatar aqui o nascimento de meu filho Afonso, que nasceu em 12 de junho de 2014, as 23hs, com 2,9 kg e 49 cm por parto natural humanizado.

Analisando hoje o meu trabalho de parto, afirmo que o mesmo nos preparou para sermos família, porque através dele nasceu uma mãe forte e paciente, um pai cooperativo e ativo e um filho intrinsecamente ligado à seus pais, uma criança segura, risonha e feliz. A escolha...

Eu e meu marido Alex planejamos a vinda de nosso filho, então quando chegou o momento, começamos as tentativa para ficarmos grávidos, e logo que recebemos a boa nova, que havíamos engravidado, pensamos em parto normal, porém nunca havia passado pela minha cabeça como eu gostaria de ter um parto, e instintivamente desejei parto normal, desde então buscamos informações e devido ao cenário brasileiro, resolvemos que o melhor seria achar uma equipe que fizesse parto natural humanizado, para fugir da cesária eletiva e da violência obstétrica.

A equipe...

Depois de minha GO me dizer que fazia somente parto vaginal com todas as intervenções possíveis e imagináveis, resolvi buscar outro profissional para o pré natal, e depois de muita busca, encontramos o Dr. Alberto Guimarães e sua equipe do Parto sem Medo, Thaís Barral Doula e Juliana Freitas Obstetra, marcamos uma consulta e amamos, sentimos que era exatamente o que procurávamos, uma equipe especializada em parto natural humanizado que nos apoiaria e nos traria segurança para alcançar o que desejávamos.

Os 9 meses...

A partir daí através dos conhecimentos passados a nós pela equipe, me preparei fisicamente e pisicologicamente, fiz hidroginástica, pilates focado em fisioterapia para períneo, massagens no períneo, trabalhei a respiração com bola de pilates, meditação, auto afirmação, fiz um curso intensivo que além de falar dos estágios da gravidez e cuidados com o bebê, muito útil por sinal, nos informou sobre todos os tipos de parto e nos trouxe o conhecimento de todas as fases de trabalho de parto, através disto trabalhei meu auto controle, tudo com participação do marido. Passamos 9 meses nos preparando e juntos traçamos o Plano de Parto.

Uma semana antes...

Nos dias anteriores ao parto, eu e o Alex, compramos e estocamos produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica, mantimentos para café da manhã, preparamos e congelamos em porções individuais verduras e legumes branquiados, feijão, carnes variadas, canja, sopa, deste modo não foi preciso sair muito de casa e as refeições foram rapidamente preparadas durante os 45 dias após o parto, tornando tudo mais fácil.

O trabalho de parto...

No dia 11/06, quarta feira, fiz todas as atividades de costume, fui ao supermercado, e como a copa começaria no dia seguinte, fui comprar decoração do tema para enfeitar a casa, chegando em casa preparei o jantar e fui buscar o Alex, depois jantamos, decoramos a casa e as 23hs fomos deitar, as 23hs30min, senti uma pressão seguida de um estalo dentro de mim, fui ao banheiro e vi que a bolsa havia rompido, sorri muito e fui dar a notícia ao pai que dormia, chamei-o e ele nem deu muita bola, quando disse que a bolsa havia estourado ele literalmente pulou da cama dizendo "meu filho vai nascer" e juntos sorrimos, porque enfim conheceríamos o Afonso. Fiz contato com a Thaís e a Juliana que me aconselharam voltar a dormir já que eu não estava sentindo nada, tão logo o Alex terminou de arrumar sua mala e colocar tudo no carro, voltamos pra cama. As 6hs da manhã acordei com uma cólica leve e contrações ritmadas, fiz a contagem durante uma hora e enviei pra Juliana, como ela não sabia se eu já tinha alguma dilatação, e como era dia da abertura da copa do mundo e o estádio onde haveria a festa de abertura e o primeiro jogo da seleção ficava entre minha casa e o Hospital em São Paulo, ela sugeriu que eu tomasse café e banho e fosse ao hospital onde a equipe me avaliaria. Lá pelas 10hs da manhã chegamos no hospital, enquanto o Alex dava entrada nos papéis deinternação, aguardávamos a doula Thaís chegar, logo que ela chegou, passei na triagem para avaliação, e a médica confirmou que a bolsa estava rompida e que eu tinha 2cm de dilatação, então fomos para o quarto e lá ficamos eu, meu marido, minha mãe e a Doula, depois a Juliana chegou e mais tarde um pouco, o Dr. Alberto para me avaliar, como eu ainda estava com 2cm ele saiu para voltar mais tarde, fiquei com meus parentes e com a Juliana que sempre auscultava o coração do meu Afonso, que ficou bem durante todo o trabalho de parto, e a Thaís que me dava apoio sobre posições, as milagrosas homeopatias, me aquecia, me dava colo junto com meu "Doulo Mor" codinome "Maridão", que me segurava nas posições, me dava comida, apertava minha mão, me confortava com seus carinhos e seus olhares, sem arredar pé do meu lado literalmente, depois de 22hs de trabalho de parto eu estava com 8cm, cansada, e então depois de caminhar, ficar deitada, agachada, de quatro apoios e debaixo do chuveiro, agora já não tinha mais posição de alívio, nem intervalos entre as contrações, então mantive o foco na respiração e aceitei a ocitocina oferecida pelo Dr Alberto para acelerar a dilatação, nestas últimas 2 horas, tempo que demorou para eu dilatar os últimos 2cm, fiquei sentada na banqueta, com as costas apoiada em meu marido, com a Ju massageando minha barriga ajudando o bebe a virar e descer e auscultando seu coração, o Dr entre minhas pernas também ajudando o Afonso a descer e ritmando a minha força junto as contrações, e eu em transe, não sentia e via mais nada, só escutava as vozes, e principalmente de meu marido ao pé do ouvido com carinho, que me deu a força necessária pra fazer o Afonso descer, neste momento fui transferida do quarto para o centro cirúrgico, nem sei explicar como subi na maca e os dois andares do hospital, sei sim, em transe, chegando no centro obstétrico só sentia vontade de fazer força, então por instinto, perguntei para o doutor se eu poderia fazer força, meu marido do meu lado segurando minhas costas completou, "força para nosso filho nascer amor, tá quase lá" e ao sinal positivo do Dr, como leoa, fiz a primeira força compriiiiiida e o Afonso coroou, o maridão foi lá pra ver, e eu só queria fazer mais força, mas estava tomando fôlego e então o maridão voltou dizendo que o Afonso era muito cabeludo e então fiz a segunda e última força compriiiiida e senti meu filho escorregar pra fora de mim e enfim segurei-o em meus braços, freneticamente meu coração pulsou, chorava e ria junto olhando nos olhinhos que me espiava quietinho, meu Deus que momento, ficamos ali eu, ele e o papai, deslumbrados, felizes e eufóricos até o cordão parar de pulsar e ser cortado pelo papai, só chorou quando foi tirado do meu colo para ser examinado e parou quando voltou aos meus braços enquanto a placenta saia, depois de tudo, 30 minutos depois, estava tomando banho em pé sozinha no banheiro do quarto, e assim que terminei e me aprontei, meu bebe veio pro quarto e mamou de primeira! Ficamos e somos hj muito felizes com o jeito que escolhemos de trazer nosso Afonso ao mundo!

Somos uma família de "liga" que passou por um treinamento natural para sê-la!

Sheila Ferreira


Maio de 2014

O parto da Clara foi um ato de fé, amor e coragem e colocou á baixo alguns paradigmas da medicina dita “moderna”.

O próprio Dr. Alberto disse: Clara você chegou quebrando barreiras!

Aos 45 anos de idade e com uma cesárea anterior de doze anos eu e meu marido procurávamos um lugar onde poderíamos ser acolhidos, um lugar onde pudéssemos tirar nossas dúvidas, saber mais sobre o assunto e para aí saber até onde poderíamos ir.

Eu já desconfiava que meu primeiro parto havia sido atropelado por decisões alheias a minha vontade eu sem informação acabei aceitando a situação.

Chegamos ao consultório do Dr. Alberto já grávida de alguns meses e ansiosos pelo que ele diria e saber se de fato poderíamos seguir em frente na decisão do parto normal.

A frase que ouvíamos sempre era: “Ah..é mais prudente e seguro neste caso uma cesárea sem riscos para a mãe e o bebê.”

Pois é, quem disse que cesárea é seguro? Que não existe riscos. É uma cirurgia e toda cirurgia tem riscos.

Encontramos no consultório do Dr. Alberto um lugar que nos assessorou o tempo todo, informando, tirando as dúvidas e ouvindo muitos depoimentos.

É claro que ao longo da gestação muitas dúvidas surgiram, ponderamos e cuidamos do pré-natal com cuidado e sem desespero.

Nas reuniões mensais podíamos tirar as dúvidas que surgiam e cada vez mais ficávamos fortalecidos e decididos.

Foi um período onde pudemos nos dedicar ao assunto, lendo, estudando, trocando experiências e cada vez mais ficava claro que meu primeiro parto foi conduzido á cesárea sem necessidade.

Tive uma gestação excelente, sem intercorrências, sem enjôos, o peso ideal e a pressão normal.

O nosso desejo era chegar ao parto normal mas sempre conscientes que se fosse necessário os planos seriam mudados.

Já estava na quadragésima primeira semana e as pessoas já faziam comentários sobre a” demora da chegada da Clara”.

Nós nos mantivemos firmes e amparados pela equipe toda.

Dia 10 de Novembro, um Domingo, comecei a me sentir estranha, as contrações estavam aumentando.

Amanheci na segunda-feira já sentindo mais frequentes as contrações daí ligamos para a Juliana e ela foi monitorando o andamento do quadro.

O quadro foi evoluindo até que começou um sangramento contínuo. Daí fomos para o hospital sob a orientação da Juliana.

Chegando lá ela acompanhou os exames necessários e finalmente fomos encaminhados para o quarto destinado aos partos normais.

Primeira batalha vencida!

Lá pude ter todo apoio da equipe, Taís e Juliana trabalharam bastante.

Juliana ia monitorando os batimentos cardíacos do bebê e a Taís ia fazendo massagens, acupuntura me alimentando e acalmando o ambiente.

Com muita paciência e sabedoria foram me estimulando e cuidando para que eu me sentisse bem. Ora na banheira, ora de pé, andando, agachando até que Dr. Alberto chegou.

Já era de manhã e eu estava bem cansada, as contrações bem próximas e as dores fortes.

Levantei-me da banheira em direção a cama e o DR. Alberto disse é agora. Eu havia pedido anestesia e ele com aquele jeito me disse que até que o anestesista chegasse a Clara já teria nascido.

Mais força, contrações, respirações, umbigo pra cima......e com o apoio do Vitor meu marido, das meninas e de toda sabedoria do Dr.Alberto, nossa Clara chegou às 7h06 do dia 12 de Novembro de 2013.

Linda!

Forte e amada!

Pesando 3,506k e medindo 52cm ela estava ótima e logo foi para meus braços.

O pai pôde cortar o cordão umbilical sem pressa e ali ficamos os três por uma hora , curtindo aquele momento, dando de mamar e descansando.

Assim realizamos nosso desejo.

Obrigada pela equipe toda, Dr. Alberto pela sabedoria e intuição.

Realmente não são todos os médicos que estão preparados para este tipo de situação, talvez seja por isso que não incentivem suas pacientes.

Obrigada pelo apoio do meu marido e seu amor dedicado.

Obrigada pelas minhas crias. Lindas!!!!!

Amo vocês

Débora

A gravidez é um sonho. É um momento de euforia e alegria, misturados com expectativa, ansiedade, medos... Afinal de contas, gerar alguém não é algo banal, tem uma nova vida em você e tem você em uma nova vida. Eu planejei minha gestação, me preparei antes e festejei muito quando chegou o positivo. Esse momento inicial foi acompanhado pela minha ginecologista de sempre, aliás, ginecologista da família de longa data. Primeiras semanas de gestação correndo bem, eu já vivendo todas aquelas emoções da espera, lendo tudo que era coisa na internet, livros, filmes... Opa: um filme especial veio transformar minha maneira de ver o nascimento e, a partir dele, tudo mudou - O Renascimento do Parto.

Na consulta seguinte ao filme disse à minha médica que gostaria de ter um parto normal, queria me preparar e buscar meios pra alcançar isso. Ela me respondeu que quando eu estivesse com sete meses de gestação nós conversaríamos sobre o parto. Sete meses? Mas e a preparação? Eu e meu marido começamos a perceber que essa não era muito a praia dela, até porque, de todos os partos da família e amigos próximos que ela realizou, nenhum tinha sido normal.

Consulta seguinte, estamos nós esperando na recepção. Desce uma gestante e a secretária diz: "Olha, você já vai completar 38 semanas, precisamos agendar o parto. Ela faz de terça e sexta, que dia você prefere?". Eu e meu marido nos entreolhamos e nossos olhares disseram... Não queremos isso pro nosso filho! Não queremos isso pra nós!

Nesse momento decidimos procurar outro médico e tentar chegar mais perto do nosso objetivo.

Entre milhões de leituras na internet e indicações, conhecemos o Dr. Alberto, o programa Parto Sem Medo e fomos à consulta. Ali descobrimos que havia profissionais em sintonia com o que buscávamos e a nossa jornada rumo ao natural, ao método de Deus para o nascimento, acabava de começar.

Nossas consultas não eram para fazer exame de toque e preencher papéis, eram conversas tranquilas e respeitosas sobre o mundo da gestação, a importância do nascimento humanizado, os medos e as alegrias de escolher se deixar levar pelo seu corpo e a escolha do seu filho em nascer.

A cada consulta nosso coração se fortalecia mais. Até acho estranho chamar de 'consulta', porque ele é médico mas não é desses "Bom dia, o que você está sentindo que te trouxe aqui?". Acho que ele está mais para um amigo que você encontra e fala: "Debora e Antonio, como foi o final de semana lá com a família? Tá tudo bem?". Pequenas diferenças que se tornam grandes na construção do vínculo de confiança.

Quando completamos 21 semanas de gestação fomos surpreendidos em uma ultrassonografia com a notícia de que nosso filho tinha fissura lábio palatina. Que susto, quanta insegurança!

Nesse momento recebemos o apoio de nossa família, amigos próximos, e claro, do Dr. Alberto e a equipe, inclusive na conversa franca e amorosa que tive com a psicóloga Joyce.

Não é a coisa mais fácil do mundo, mas também não é a mais difícil. O que importa aqui é a forma como essa notícia foi recebida em nosso coração e a tranquilidade que Deus nos deu, sabendo que Ele é quem conduz todas as coisas, não nós. Nessa confiança seguimos o restante da gestação, alegres e cheios de gratidão.

Tivemos uma consulta na segunda feira em que completei 38 semanas. Até então nenhum sinal de trabalho de parto. Além dos exames finais, o Dr. Alberto me avisou que na consulta seguinte teríamos o primeiro exame de toque. Guarde essa informação, rs.

Terça feira, 38 semanas e 1 dia. Passo o dia inteiro bem, não senti nada. Por volta das 20:30 saiu meu tampão mucoso. Enviei uma foto para a Juliana e a Thais, obstetriz e doula da equipe que estavam me acompanhando. A Juliana respondeu pra eu ficar tranquila que era normal, nada a fazer por enquanto, apenas observar.

Foi o que fiz. Continuei com minhas coisas, afinal, não estava sentindo nada de diferente. Por algum motivo resolvi colocar toalhas na cama embaixo do lençol e tirei algumas fotos da barriga no quartinho do meu bebê. Mal sabia eu que aquelas atitudes já eram meu subconsciente avisando - Te prepara! Depois disso, fomos dormir. Às 00:30 sinto o Davi dando uma mexida forte e... surpresa... minha bolsa rompeu!

Acordei meu marido, avisei sobre a bolsa rota, ele levantou, pegou algumas toalhas, avisamos as meninas e, como o liquido estava clarinho, a recomendação era apenas acompanhar. Eu fui tomar banho. Deste momento em diante fui aos poucos entrando em outra esfera da realidade, de acordo com a duração e a intensidade das contrações.

Meu marido avisou a equipe sobre as contrações e a Thais prontamente respondeu que estava vindo pra minha casa. Com 10 minutos de bolsa rota eu estava com contrações ritmadas de três em três minutos, durando uns 40 segundos cada.

Fiquei no chuveiro e marcava as contrações no celular. Em algum tempo eu não conseguia mais apertar os botões do celular, falava quando começava e terminava, e meu marido marcava. Meia hora depois eu já não conseguia marcar nem avisar quando começava ou terminava, ele mesmo sabia por me observar.

Com duas horas de bolsa rota a Thais chegou em casa. Lembro do sorriso dela ao me ver... e do alívio que senti ao vê-la. Ela abriu sua bolsa mágica, tirou algumas coisas que eu não conseguia ver e começou a me ajudar quando as contrações vinham. Que massagens poderosas! Eu só falava... "Que alívio!!! Que alívio!!!" Não queria mais que ela tirasse as mãos das minhas costas!

Como ela viu que eu já estava com o trabalho de parto engrenado, disse que poderíamos continuar acompanhando em casa com o alívio natural da dor ou já ir para o hospital. Eu disse que queria ir para o hospital porque já estava com a dor incomodando demais.

Pausa para reflexão 1: a Doula é de fundamental importância no acompanhamento do casal. Eu disse fundamental, não opcional, rs. A Thais não foi alguém que 'ajudou' apenas, ela me trouxe calma, orientou meu marido, aliviou minha dor, segurou a barra das minhas contrações no carro, nos acompanhou em tudo e sempre sorrindo, o que me tranquilizava demais. No carro as contrações aumentaram bastante em intensidade e ficaram mais próximas. Eu já não conseguia mais pensar direito, ficava só com os olhos fechados, gritava e apertava a Thais quando a dor ficava forte.

Comecei a sentir vontade de fazer força, mas eu não queria fazer porque estava no carro! Fiquei segurando e falava pra Thais e pro meu marido: "Eu acho que ele está saindo!!!". Os dois sempre me passando calma, sempre. Chegamos ao hospital, eu desci do carro e a Thais entrou para preparar meu caminho.

Veio o segurança com uma cadeira de rodas e me pediu pra sentar, eu disse: "Não quero sentar, me dá aqui a cadeira!". Eu virei a cadeira e fui empurrando como se estivesse levando alguém. Eu nunca conseguiria sentar com as contrações como estavam.

A Thais me guiou até a sala de triagem. Quando cheguei lá, me pediram pra deitar na maca para que a médica me examinasse. Se eu não queria sentar, imagina minha 'felicidade' quando pediram que eu deitasse com as costas para baixo. Eu fiquei em quatro apoios na maca, a médica e a enfermeira me pedindo pra deitar, eu disse: "Eu não quero deitar, minhas costas estão doendo muito!". A médica me respondeu "Eu não sei fazer parto assim!!!". Senti certo desespero no tom de voz dela, o que traduzia o total despreparo para realizar um parto em que a gestante não estivesse em posição ginecológica. Mesmo sem querer, deitei, ela me examinou, disse que eu estava com 10 centímetros e mandou correrem comigo para o centro cirúrgico porque a sala de delivery estava ocupada. Chegando ao centro cirúrgico, outra médica veio me examinar e quis fazer exame de toque novamente.

Pausa para a reflexão 2: lembra que eu disse para você guardar a informação lá no início sobre a meu primeiro exame de toque ter sido programado para a 39ª semana de gravidez? Pois então, eu passei a gestação inteira sem receber exame de toque porque era desnecessário. Chego ao hospital e em menos de 10 minutos querem fazer dois exames de toque. Para que isso? Será que quando o profissional que recebe a gestante no hospital não sabe como agir, fica fazendo o tempo todo exame de toque? Não é indolor! Deveria ser uma prática melhor utilizada, apenas nos momentos realmente necessários.

Eu disse a essa nova médica: "A outra médica na triagem acabou de fazer, não quero fazer de novo!!! Cadê a banqueta??? Eu quero a banqueta!!!". Ela me respondeu: "Aqui não tem banqueta 'querida'”. Percebi o sarcasmo nesse "querida" em represália à minha negativa em fazer o segundo exame de toque. Perguntei pela minha doula Thais e ela respondeu: "Ela não está aqui ainda "querida", o hospital possui procedimentos e ela também tem que respeitar". Imaginei que ela estava se vestindo ou preenchendo algum papel com meu marido. Nessa hora eu já estava com bastante vontade de fazer força, mas continuei aguentando porque estava sem meu marido e a minha equipe, as pessoas em quem eu confiava.

Continuei na maca em quatro apoios, a Thais chegou, eu pedi a banqueta de novo, ela me disse que a equipe estava chegando, pra eu ficar calma. A enfermeira do hospital tentou auscultar os batimentos do Davi, não conseguiu e balançou a cabeça negativamente para a médica plantonista. Ainda bem que eu não vi isso, meu marido me contou depois, pois o deixou bastante apreensivo. Essa falta de preocupação com o acompanhante também é bem complicada. Ele é uma extensão de mim, sente tanto quanto eu as emoções e expectativas do parto e seria prudente que os profissionais do hospital tentassem deixá-lo tranquilo também.

Perdi totalmente a noção do tempo. Não sei quanto demorou, sei que foi pouco, mas quando me dei conta estava a Juliana, minha obstetriz maravilhosa, com a banqueta na mão do meu lado direito, o ambiente ficou mais escuro e quente, meu marido apareceu pra me ajudar a descer da maca e na minha frente estavam o Dr. Alberto e a Dra. Patricia me olhando e sorrindo.

Pausa para a reflexão 3: como foi positivo ver a equipe inteira sempre calma, unida, coesa e me passando extrema tranquilidade. O parto não é um evento de sofrimento e desespero, mas sim de felicidade e paz. Era isso que os olhos deles me transmitiam o tempo todo. Eu via neles o olhar oposto ao que havia visto na plantonista que me disse "Eu não sei fazer parto assim!".

Depois que os vi todos ali comigo tudo ficou muito melhor. Sentei na banqueta de parto, comecei a ouvir as orientações do Dr. Alberto, da Juliana e acompanhava canalizando a força da maneira correta durante as contrações. Quando a dor ficou muito forte, falei pra Juliana que não estava aguentando mais e ela disse: "Já está coroando!". Meu marido também disse que estava dando certo e segurou a barra dos meus apertos nas mãos dele. Olhei pra frente de relance e vi a Thais sorrindo pra mim, como quem diz: "Vamos lá, está dando tudo certo, coragem!". Que força eles me deram!

Mais algumas contrações e o Dr. Alberto pediu pra eu dar a mão pra sentir o cabelinho do Davi, eu fiquei com medo, mas coloquei e senti... Sensações que não consigo descrever. Mais uma contração vem, eles me pedem pra respirar melhor e sinto meu filho nascendo, chegando, me trazendo a maior emoção que já senti na vida: a emoção de parir, de reconhecê-lo em mim e me reconhecer nele. Imediatamente o Dr. Alberto o colocou no meu colo, fiquei falando mil vezes "É meu filho... Meu filho, meu filho...". E senti vontade de rir e chorar ao mesmo tempo, de agradecer a Deus e abraçar meu filho, meu marido, para todo o sempre. O Dr. Alberto esperou o cordão parar de pulsar e orientou meu marido para cortar.

Ficamos ali, nossa recém-inaugurada família com três pessoas, envolvidos em todo o amor que havia em nós, transbordantes e repletos de muita gratidão.

A Dra. Patrícia estava conosco, me ajudando a aquecer o Davi, colocando ele para mamar, sorrindo e me tranquilizando de que ele estava ótimo. Apgar 9/10. Felicidade da mamãe e do papai 1000/1000!

Tive uma laceração leve no períneo e enquanto recebia sutura, comentei que, se ter um filho fosse sempre assim, eu gostaria de ter dez! Muitas risadas. Quando tudo acabou cada um da equipe veio nos abraçar, dar parabéns e, mais uma vez, falar da alegria de compartilhar com eles aquele momento.

Ficamos um bom tempo com o Davi até que o levassem. Depois dele sair, fui para a sala de recuperação e lá fiquei por algumas horas, assimilando toda aquela noite espetacular, sem nenhum acesso venoso nos braços, sem posição ginecológica forçada, sem sorinho, sem episiotomia, sem remédios desnecessários no meu filho, sem arrependimentos, sem sofrimento... Só sorrindo e sentindo as lágrimas escorrerem do meu rosto por tanta felicidade.

Tive o parto que sonhei. Meu marido o tempo todo comigo. Bolsa rota 00:30 e bebê nos braços 04:50. Cheguei ao hospital com dilatação completa, minha equipe me passando confiança e o melhor cuidado possível.

Algumas lições que esse momento maravilhoso nos ensinou:

- Deus é Deus. E Ele é bom! Tudo que Ele criou é melhor do que o que o homem criou. Desde o sabor de uma fruta fresca colhida na hora até à maneira de um ser humano nascer. Confiar em Deus é só o que precisamos fazer.

- Hoje, se uma mulher quer um parto humanizado e respeitoso no Brasil, tem que ter fibra. Tem que ser espartana. Não basta ter um ginecologista legalzinho, precisa de um time que compre a briga e lute com você, principalmente seu companheiro.

- A jornada do parto humanizado é trilhada por duas pessoas unidas com o mesmo objetivo. Meu marido participou de tudo. Cada consulta, cada curso, cada exame ele estava lá, me acompanhando, apoiando, aprendendo comigo, se dispondo a ler tudo que eu passava, tirando as dúvidas e se preparando para parir comigo. Nos tornamos muito mais unidos e cúmplices depois dessa experiência e arrisco dizer que não conseguiria sem ele. Uma criança não pode ser gerada por uma pessoa sozinha, assim, na minha opinião, o ideal é que ela nasça com a participação dos dois que a conceberam também.

- O hospital está pronto para realizar na gestante todas as intervenções desnecessárias possíveis e impossíveis. Não permita. Não seja vítima do sistema hospitalar particular brasileiro corrompido, antiquado, mercenário e falho. Exija seus direitos.

- Busque uma equipe com pessoas nas quais você confie. Mas não é aquela confiança de paciente e dotô! É confiança de cúmplices, parceiros, amigos... Confiança de um time que joga junto, do qual você se orgulha em fazer parte.

- Estude, estude e estude sobre tudo relacionado à gravidez, parto e pós-parto. Tire todas as dúvidas sobre essa fase com profissionais, livros e artigos científicos confiáveis. O conhecimento que você adquire te muni contra qualquer desculpa esfarrapada que tentem te dar para agendar cesárea (circular de cordão, não tem passagem, muito baixa, muito alta, muito qualquer coisa, etc...).

- Parto não tem sofrimento. Sofrimento te aflige, não gera nada de proveitoso, te deixa ansioso, triste, apreensivo e infeliz. Parto tem dor, dentre outras sensações fantásticas, apenas a dor física que é necessária para trazer algo maravilhoso e único - seu filho! Encare a dor como um membro do seu time... Ela te ajuda a ter seu filho. Entender a diferença entre sofrimento e dor te aproxima mais de um parto espontâneo e feliz.

- Confie em você, nos seus instintos e que você nasceu preparada para parir. Força! Coragem! Perseverança! Pulso! Fibra! Pega a bola, mata no peito, invade a área e chuta para o gol com fé. Você não é uma perna de pau em campo, você é o Leonel Messi! Sei que você é mulher e talvez não saiba muito sobre futebol, basta saber que o Messi é a Gisele Bündchen do futebol, rs. Você não é uma coitada que precisa ser salva com seu bebê por um médico cesarista. Você é uma mulher capaz e forte o suficiente para ter seu filho.

Enfim, passamos a infância, adolescência e a fase adulta buscando fortes emoções, indo a parques com brinquedos radicais, fazendo rapel, asa delta, rafting, paraquedas, filmes alucinantes no cinema, etc...

Não desperdice a oportunidade de ter a experiência mais emocionante que Deus deu a um casal, a de trazer um filho ao mundo de um jeito mágico.

Essa é a grande lição que o parto humanizado traz para as nossas vidas: a emoção singela, simples e única de se entregar e deixar acontecer.

Marianne

O nascimento do Lucas

Era final de maio, feriado de Corpus Christi, eu estava de quase 36 semanas e me preparava para voltar ao trabalho depois dos 15 dias de licença que o Dr. Alberto havia me dado para eu recuperar o fôlego para o último mês de gestação. Porém, esses não eram os planos do Lucas e no meio do feriado minha bolsa “furou”. Será que o Lucas ficou cutucando com o dedinho? Fui para o hospital e estava tudo bem, mas o Dr. Alberto disse que eu precisava repousar, que o Lucas poderia nascer nos próximos dias, e que quanto mais tempo ele passasse dentro da barriga era vantagem pra ele e deveríamos esperar eu entrar em trabalho de parto.

Ficamos na expectativa do início do TP por quatro dias, até que começaram as contrações, logo de cara com intervalos de 5 minutos. Liguei pra Thaís e a equipe toda já estava no hospital, acompanhando um parto, e fomos para lá. As contrações já estavam em intervalos de 3 minutos e eu sentia muita dor quando dei entrada na emergência, mas o exame de toque revelou que eu tinha apenas 1 dedo de dilatação e colo espesso. Fiquei com o Thaís na recepção do hospital até que a delivery fosse liberada, tentando várias posições que me ajudassem a suportar a dor que só aumentava e a intervalos mais curtos. Nos bastidores, o Dr. Alberto disse para o Carlos que esperaríamos umas 2 horas para ver como seria minha evolução. Eu já sentia muita dor e as contrações estavam aumentando muito rápido, talvez eu não aguentasse. Eu sabia que para dilatar eram necessárias as contrações, mas no ritmo que elas vinham eu também não sabia se aguentaria.

Quando entrei na delivery, a Thaís e Juliana me colocaram no chuveiro, sentada na bola. O Carlos ficou comigo, fazendo massagem, e o alívio da dor foi imediato, mas as contrações estavam só piorando, já não tinha mais como relaxar entre elas, era uma dor constante. No pico da contração, eu gritava, me contorcia, estava delirando, perdi a noção do tempo. Logo começou a sair muito sangue e o Carlos ficou preocupado, indagando se era normal. Chamou discretamente a Thaís e a Juliana e as duas ficaram muito animadas. Era sinal que eu estava dilatando e o colo do útero afinando!

Após duas horas no chuveiro eu já estava exausta e pedindo analgesia, e o Dr. Alberto disse que ela iria me ajudar. Eu, sem noção, queria tirar uma soneca, dar um tempo naquela insanidade que eu me encontrava. Ele verificou minha dilatação e eu já estava com 6 cm! Eu achava que a analgesia iria acabar com tudo que eu estava sentindo, mas não foi bem assim, eu ainda sentia as contrações e um pouco de dor e falei para a Juliana que achava que a analgesia não tinha sido efetiva e pedi mais. Mas ela pediu para eu ter calma e relaxar, que logo seria hora de fazer força. Ela estava certa, em uma hora eu estava com dilatação total e era chegada a hora de ajudar o Lucas a nascer.

Sentei na banqueta de parto e todos estavam a minha volta, me incentivando e ensinando a fazer força, e eu sentia que o Lucas nasceria a qualquer momento. Mas não foi bem assim... Depois de um tempo eu comecei a me sentir resignada, meio frustrada por parecer incapaz de ajudar meu filho a nascer, como se eu não soubesse o que fazer. Me sentia exausta, impotente e não estava atendendo às expectativas de todos que tanto me apoiavam. O Dr. Alberto pediu para eu colocar a mão e sentir o topo da cabeça do Lucas. Parecia tão perto de nascer! Ao ouvir os batimentos cardíacos do Lucas diminuírem eu pensei: “Tem que ser agora!”. E às 3:13 hs do dia 05/06/13, depois de reunir forças para um último esforço, num misto de alívio e alegria, senti o Lucas nascer. Toda a dor sentida, todo a frustação, tudo que poderia ter me feito desistir no meio do caminho foi esquecido, com o Lucas no meu colo, me olhando, sem chorar. Nasceu meio caidinho, cansado de tanto esforço, e a Dra. Evelin o colocou para respirar um pouco de oxigênio. Mas apesar disso e de miudinho, nasceu saudável.

Hoje, 10 meses depois, eu percebo que tudo aconteceu da maneira que tinha que ser, como o Lucas quis, e enfim aceito minhas limitações. Não posso me sentir mal por ter tomado analgesia ou por perder as forças em certos momentos ou por ter me sentido incapaz de parir. O que realmente importa é que nada disso me abalou e tive forças para continuar, mas não estava sozinha, e a presença e apoio das pessoas envolvidas foram essenciais para que o Lucas chegasse com tanto amor e respeito: Carlos, Dr. Alberto, Juliana, Thaís e Dra. Evelin.

A analogia do parto à subida de uma montanha reflete muito bem o modo de pensar meu e do Carlos. “A vista lá de cima vale o preço da subida”, dizia uma frase numa camiseta. O preço são as dores, o esforço, o cansaço. A vista é ver seu filho ser protagonista do próprio nascimento, todas as outras pessoas apenas coadjuvantes de uma história que ele está começando a escrever. Agora nosso papel como pais é ajudá-lo a descer a montanha, um caminho que também não é fácil, mas que será trilhado com muito amor, carinho, dedicação e respeito.

Ironeide

RELATO DO NASCIMENTO DA LORENA

Meu nome é Ironeide Santana Sampaio , tenho 35 anos e sou bahiana de Salvador. Moro em São Paulo há 10 anos, e aqui em São Paulo também moram minha irmã mais velha, com três filhas suas , todas nascidas de parto normal em Salvador (Bahia). Nós somos oito irmãos, todos nascidos em casa com parteira e de forma natural. O parto e a amamentação sempre foram eventos muito naturais na infância dos meus irmãos, pois como sou a filha caçula, eles sempre falam com carinho dos cuidados que recebi deles.

Portanto, quando fiquei grávida da Lorena aqui em São Paulo, eu desejava um parto normal, e não podia sequer imaginar como seria difícil ser ouvida no meu desejo.

Eu estava consultando com um médico obstetra do meu convenio e sempre fui muito bem atendida nas 8 consultas mensais que fiz durante a gestação.

Os exames que foram solicitados na gravidez sempre deram resultado normal. O meu parto iria acontecer no Hospital Santa Helena em São Paulo, um hospital e maternidade do meu plano de saúde .

Na ultima consulta com meu médico, fiquei sabendo que ele não poderia me acompanhar no parto pois estava de viagem marcada para um congresso no nordeste. Mas ele me recomendou um colega que por sinal era diretor do hospital onde eu teria meu bebe.

Sou cabelereira e tenho um salão , e várias clientes me falaram que se quisesse um parto normal eu teria que insistir, pois os médicos só faziam cesarianas nos hospitais particulares.

Eu queria um parto normal , onde eu não precisasse tomar soro para acelerar o processo porque eu sei que é esse soro que faz doer mais.

Eu queria um parto normal mas não queria que me cortassem embaixo. Nem minha mãe nem minhas irmãs tiveram cortes.

Li algumas coisas na internet e conversei com muitas mulheres sobre parto, mas a maioria delas tinha tido seus filhos através de uma cesariana. Ou várias cesarianas .Eu nem podia pensar em fazer uma cirurgia, ter a barriga cortada, pois planejava voltar ao trabalho o mais rápido possível.

Quando entrei em trabalho de parto era pouco mais que onze horas da noite. As contrações que eu sentia durante o dia inteiro , de forma espaçada e irregular ficaram mais fortes , mais compridas e a cada dez minutos. Eu ainda consegui dormir de forma picada, mas consegui. Fui para o hospital as 7 horas da manhã do dia seguinte. Chegando lá me aconselharam a passar por uma consulta com o médico que iria “fazer” o meu parto.

Ainda não tinha consultado com ele, e ele nem me examinou (!) me encaminhou direto para aquele lugar de exames da maternidade. Lá uma enfermeira me examinou – tirou pressão, temperatura e fez exame de toque e falou que tinha 5 cm de dilatação. Aí o médico chegou e fez varias perguntas sobre a hora que as contrações começaram, se saiu água e eu não me apercebi... e me falou que era melhor fazer logo uma cesariana porque já era para eu ter mais dilatação . Expliquei de novo que eu queria parto normal, e ele falou “Olha vai doer, e depois na hora que você quiser eu não vou estar aqui prá te operar”

Fiquei internada, me colocaram uma camisola curta , feia e transparente. Um aparelho ficou o tempo todo na minha barriga, e eu queria levantar mas as enfermeiras do pré parto não deixavam. Outras mulheres também estavam deitadas em camas a minha volta, e algumas gritavam. As contrações começaram a ficar muito fortes e mais próximas e eu também gritei pedindo prá enfermeira me tirar o aparelho porque eu queria sair dali, andar, sei lá... fazer alguma coisa que não fosse ficar deitada.

De tanto eu insistir, veio a enfermeira e me examinou de novo. Eu estava com 8 cm e as dores estavam muito fortes naquela posição. Graças a Deus ela me tirou o aparelho e eu pude ficar em pé um pouco, apoiada na cama. Aí chegou o médico e falou para eu me deitar novamente que ele ia examinar. Eu falei “De novo ?? Doutor, ela acabou de ver que eu estou com 8 cm...” “eu não quero ficar deitada..”

Mas ele foi dizendo “vamos..vamos...” e a enfermeira me colocando na cama de novo , mais um toque doloridíssimo e mais demorado que os outros. Doeu demais e eu reclamei. Ele disse “Voce só está passando por isso porque quer, eu te falei que podia ter resolvido o problema”

Assim que ele se afastou eu me levantei , e após uma contração a bolsa de águas escorreu pelas minhas pernas, e molhou o chão. Tinha até um pouco de sangue, eu fiquei assustada. A enfermeira foi quem reclamou desta vez, dizendo que tinha sujado tudo porque eu quis levantar

Eu pedia se eles podiam chamar meu marido, pedia anestesia, pedia para me ajudarem. Estava me sentindo fraca e sozinha. Eles falavam entre si, mas eu não escutava porque as dores estavam consumindo toda a minha atenção.

Sei que me levaram para uma sala mais para dentro, eu pedia pelo meu marido, que deveria estar do lado de fora. Ele ia assistir ao parto. Eu continuava deitada em uma maca e as dores aumentando, eu gritei e ouvi por duas vezes que era para parar de gritar porque senão o bebê iria nascer surdo (!)

Não me lembro quando meu marido entrou na sala, mas a Lorena estava quase nascendo. Antes o médico me fez uma episiotomia, o corte tão temido por mim. O tempo todo ele falava que eu estava passando por tudo aquilo porque eu queria. Ninguem mando ser teimosa....

Quando eu pedi para ele não me cortar ele disse que era ele quem sabia o que deveria ser feito. Não gosto nem de lembrar o quanto me doeu a recuperação dos pontos.

Assim que nasceu minha filha foi retirada da sala, eu só a vi de longe , e depois de 6 horas ela foi para o quarto onde eu estava. Eu só chorava, queria me enganar achando que era choro de felicidade, mas hoje eu sei que foi de pura indignação (!)

Sim, está tudo bem comigo agora, tanto que escrevi para vocês este relato, mas durante pelo menos nove meses depois do parto eu ainda estava bem triste e incomodada pela forma com a qual eu fui tratada neste momento tão importante. E também porque a minha recuperação dos pontos foi muito incomoda e dolorida.

Só depois do pato é que fiquei sabendo da existência de Casa de Parto. Se eu fosse ter outro filho, com certeza iria para uma delas.

Obrigada pela oportunidade e desejo que mais mulheres fiquem sabendo como o parto pode ser um trauma e evitem esses tipos de atendimento.

Mara

Relato de parto do Levi

O MELHOR PRESENTE DO MUNDO

Se fosse uma cesariana não teria a menor graça, mas meu filho Levi resolveu me presentear nascendo de parto normal bem no dia do meu aniversário!

No geral, tive uma gravidez bem tranquila. O plano foi engravidar antes de pedir as contas no meu emprego para aproveitar meus beneficios. A coisa foi tão bem feita que eu sei até o dia em que Marcelo e eu ficamos “gravidos”!

Descobri a gravidez com apenas duas semanas no maior caos, uma quase separação minha e de meu marido (pois é, acredite). Sentindo cólicas fortíssimas, a plantonista do hospital me pediu um HCG para poder então medicar. No dia seguinte vejo o resultado na internet e voilla, gravidiiiiiiiisssssiiiiima!!!!!!!! Foram risos e choros ao mesmo tempo! Mas e o meu casamento? Ah, depois dessa decidimos ser novamente dois.....agora três! Alguns meses depois até nos casamos no civil.

Bom, logo passei a fazer mil pesquisas de como eu gostaria de passar esses momentos únicos e decidi por um parto normal e humanizado, afinal, eu não poderia vir para esse mundo como mulher e não saber o que é parir um filho com meu próprio esforço!!! Ok, muito legal até aí mas a busca por um obstetra que topasse um parto normal sem intervenções foi beeeeeem difícil pois eu pretendia aproveitar ao máximo o meu convênio médico e logo vi o grande obstáculo da tão “conveniente” cesária. Nesta época, estacionei por uns três meses com uma obstetra que eu tinha gostado muito. Ela dizia ser a favor do parto normal e até na banheira, como eu de fato pretendia. Não demorou muito para eu entender qual era a dela: “dra, você aceita fazer meu parto com uma doula? É que eu acho importante e gostaria muito de ter o acompanhamento de uma.” e ela me responde com um sorrisinho “mas EU sou a própria doula.” Só poderia ser piada né? Resumindo, passei os nove meses quase que com oito obstetras até chegar afinal com 36 semanas no Dr. Alberto Guimarães. Ufa!!!! A partir de então foi tudo bem tranquilo! Conheci a minha doula Thaís Barral e logo me encantei. Estava certa, era isso mesmo o que eu queria! Nada paga a nossa tranquilidade de querer respeito e naturalidade na hora do parto. Nada de açougueiros meu filho!

Comecei a me preparar de verdade para a hora do MEU parto. Por indicação da Thaís, conheci a fisioterapeuta Sandra Sisla que nos apresentou o epi-no e as massagens perineais, tudo para fugir de qualquer laceração ou episiotomia. A ajuda do meu marido foi essencial para essa rotina de exercícios. Li também dois livros que a Thaís me indicou e comecei todos os dias a me alongar bastante, entender melhor o meu corpo e relaxar a mente ao máximo possível. Logo a minha rotina na empresa ficou mais que insuportavel e pedi a minha licença com 37 semanas mesmo sabendo que o Levi poderia nascer com até 42, mas no fundo no fundo, eu sabia que não levaria tanto tempo assim e a essa altura, minha barriga já estava quase explodindo e eu andando feito uma pata!

Estavamos ótimos, o Levi ainda levitava na minha barriga nas 39 semanas quando numa consulta de rotina o Dr. Alberto disse para eu me tranquilizar pois estava com 1 cm de dilatação e seria bem possível aguardar mais uns dez dias talvez. Mesmo sabendo que aquela seria a semana do meu aniversário, por sorte não fiz qualquer programação para comemorar pois eu sabia que aquela era a hora do meu filho e não a minha. A programação era apenas a “espera mágica” como diria a Thaís.

Eis que no dia seguinte a tarde, percebo uma sujeirinha, como que num finalzinho de menstruação. Opa!!!!!! O que está acontecendo? Seria aquilo o tal tampão? Não parecia muito.....resolvi me acalmar. Neste mesmo dia 20 a noite, comecei a sentir um desconfortozinho que, madrugada a dentro aumentou bastante. Contrações? Siiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmm eram elas, e cada vez mais ritimadas. Fiquei bastante surpresa com a tranquilidade do meu marido, achei que ele já fosse querer sair correndo para a maternidade! Ansiedade minha a parte, começamos a marcar as contrações e quando se estacionaram a cada cinco minutos exatos (nisso a dor era mais intensa) resolvi ligar para a Thaís umas três da manhã, coitada! Logo ela chegou e nos tranquilizou. No escurinho e com músicas gostosas que eu já havia selecionado para o parto, Marcelo poupava seu sono enquanto ela tirou de sua bolsa sua poção mágica e me fez um delicioso chá com gengibre e canela além de um escalda pés. Eu quase fervi de tanto calor. Pois bem, as contrações se espassaram cada vez mais enquanto eu relaxava. O que aconteceu? Um falso trabalho de parto talvez? Que bom que eu tive uma doula porque caso contrário correriamos para a maternidade crentes de que seria a hora e lógicamente, eu sem dilatação (porque só se tem dilatação quem está de fato em trabalho de parto), cairia numa cesária. Bom, pela manhãzinha minha mãe que mora no interior resolveu me ligar e sem saber de nada afirmou: “você está em trabalho de parto não está? Estou chegando hoje a tarde.” Eu tentei explicar que ainda não mas não teve jeito. De alguma maneira ela já sabia.

Segui as recomendações da minha doula que já estava pronta para qualquer chamado: passar um dia tranquilo. Como as nossas coisas já estavam prontas para levar para a maternidade, não me restava muito o que fazer. Tentei então descansar um pouco mesmo com contrações bem irregulares. No fim daquela manhã, percebi novamente algo estranho, de fato o meu tampão havia saído, uma geleiona esquisita! Agora sim a coisa iria engrenar, pensei. E que bacana, o Levi poderia nascer a partir da meia noite pois já seria o meu aniversário!!! Que legal! Minha mãe enfim chegou e aos poucos as contrações foram ficando mais intensas.

Novamente a noite, a coisa apertou. Eu já não conseguia relaxar e nem dormir direito por conta das dores. Me lembro de ficar muito nervosa e com medo de passar por mais um alarme falso. Claro que minha mãe entendia o que estava se passando e não queria me ver sofrendo, mas “mãe, eu não estou sofrendo!” Seu medo e aflição foram me atingindo e a essa altura, por volta de uma da manhã do dia 22 eu já estava bem apavorada! Descobri então a imensa calma que meu marido consegue ter! Que bom! Alguém precisa ter calma nessa hora! Ele Ligou para a Thaís e novamente, mais que depressa ela chega já me fazendo muita massagem enquanto o Marcelo, ex editor de imagem, já começa a filmar cada momento. As contrações foram apertando muito e já era nítido o trabalho de parto. Fui para o chuveiro com a tal “bola amiga” que a Thaís havia me emprestado para relaxar. Que delícia! Me senti bem melhor!

“Mara vamos para a maternidade?” a Thaís perguntou. Sério? Nossa, que maravilha, eu não via a hora! Confesso que foi um certo alívio saber que o trabalho de parto estava engrenado! Decemos os quatro andares de escadas do meu prédio bem devagar. Me lembro de me apoiar no Marcelo e gemer de dor baixinho a cada contração para não acordar ninguém, não foi fácil.

Que maravilha, chegamos em apenas vinte minutos no São Luiz! Eu estava tão feliz que tentei me acalmar entre contrações, curvas e buracos nas ruas de São Paulo, o que me rendeu um elogio da Thaís dizendo que eu fui a grávida mais comportada dentro do carro. Já eram quase três da manhã quando chegamos, dispensamos a cadeira de rodas e encaramos os olhares assustados dos funcionários de plantão que arregalavam os olhos me vendo em trabalho de parto! Acho que não estão acostumados a ver isso numa maternidade!

Seguindo protocólos, fui para a triagem e uauuuuuu!!!! Uhhuuuullllll adivinha só! Eu já estava com quase sete centímetros de dilatação!!!!! Fiquei muito feliz e empolgada! Claro, pensei que daí para a frente seria fácil......mas não foi bem assim.

Tive sorte, a sala de parto estava liberada! Eu poderia parir na banheira como eu tanto queria e ouvir minhas músicas numa boa! Como já tinha umas seis horas que eu não me alimentava (porque não senti a menor fome e nem me lembrei de comer), a enfermeira foi preparando um soro glicosado (segundo ela) mas por sorte a Thaís chegou bem na hora e não permitiu a aplicação. Ufa! Agora entendo o que se diz de intervenção hospitalar: uma cascata de coisas que vão acontecendo sem você perceber e numa piscada logo se cai na cesaria, afinal o bisturi está tão pertinho! Salva pelo gongo, minha doula querida me oferece biscoito de sal e melzinho, mas não durou muito tempo pois as dores me causaram um tremendo enjoo e coloquei tudo para fora.

Depois disso, me lembro de ir para a banheira com a bola e um tecido amarrado que apoiava minhas costas enquanto eu, sentada na bola, tentava relaxar entre as contrações que agora estavam bem próximas. Me lembro que neste momento ainda estava bem bacana, eu estava empolgadona e firme, porém, não sabia que este seria apenas o começo do começo.

O dr. Alberto me examinou. Legal, dilatação quase 8 mas o Levi ainda estava muito alto e a bolsa íntegra. Nossa, as dores a partir daí foram ficando muito intensas a ponto de eu ter apagões na memória! Não me lembro de muita coisa a partir de então. Meu marido conta que eu parecia bêbada. Não respondia, não olhava fixamente.....enfim, estava eu na tal partolândia. Sei que comecei a me sentir muito fraca, extremamente cansada e irritada, afinal, passar dois dias sem dormir e sentindo contrações cada vez mais fortes não foi nada fácil. Estava demorando muito e as dores já insuportáveis! Eu não estava curtindo aquilo. A Thaís me deu mais floral e me colocou novamente na banheira, mas a água quente me fez ficar ainda mais mole e sem forças. Não consegui! Mesmo depois de insistências e tentativas para o meu tão sonhado parto na água, pedi anestesia! Não era para ser assim, mas a anestesia que para mim seria um grande alívio, acredite, foi apenas o inicio de um grande pesadelo!

Perguntei ao Dr. Alberto como seria o processo da anestesia e ele, na sua calma magnifica, me explicou que seria algo sutíl para eu sentir o bebê passando sem sentir as dores das contrações. Maravilha, era isso o que eu queria! Me posicionaram na cama e logo chegou o anestesista de plantão dizendo que eu sentiria uma pressão na coluna mas que não era para eu sentir dor. Ok, lá vamos nos! Na hora da primeira agulhada senti uma dor terrivel na coluna. Gritei muito! O anestesista pensou que fosse pelas contrações mas eu tentei explicar que não. Mais uma agulhada e eu gritei novamente. Não sei quantas vezes isso se repetiu, mas me lembro que em meio a esse estresse todo, ele ainda tirava um sarro: “caramba, consegui o impossível, acertar no lugar errado! Vou jogar na loteria hoje.” Idiota! O que aconteceu foi que ele acertou uma veia e não a medula correta e com isso não conseguiu colocar o catéter para alimentar a anestesia caso fosse necessário.

Comecei a ficar com um medo muito grande daquele anestesista. Segundo Dr. Alberto, aquela dose baixa seria o suficiente para mais umas duas horas e nós acreditavamos que o Levi chegaria antes disso, eu principalmente, pois caso o parto levasse mais tempo, as dores voltariam insuportáveis e eu teria que levar novas agulhadas devido ao catéter não estar na minha coluna. A parte boa até aí foi que eu pude sentir minhas pernas sem sentir mais as contrações, o que me animou bastante!

Passa-se o tempo e nada, o Levi ainda estava bem alto! O Dr. Alberto achou melhor estourar a bolsa e assim foi, bem rapidinho. Muito líquido, disse ele. Sei que eu voltei para a bola para tentar ajudar na descida do bebê mas já era tarde, as contrações voltaram muito muito fortes! Meus Deus, não vou aguentar! Tive que encarar novamente o anestesista!

E lá vem ele... Na primeira agulhada senti uma dor na coluna ainda mais forte acompanhada de uma martelada na cabeça! Nossa!!!! Gritei muito e o imbecil ainda pensou que fosse das contrações, dá pra acreditar? Sei que comecei a ficar bem nervosa com isso, e é claro, com muito medo pois eu estava completamente indefesa e dependia do acerto dele! Daí pra frente já não me lembro, mas o Marcelo disse que ele ficou um bom tempo procurando onde furar novamente e nisso eu pude ver a equipe toda bem tensa (nossa eu nem tinha percebido, mas a sala de parto de repente ficou cheia). Alguma coisa de errado aconteceu! Me lembro de me fazerem perguntas e eu tentava mas não conseguia dizer uma palavra se quer. Eu nem conseguia engolir saliva! Foi a pior sensação que senti em toda a minha vida! Um verdadeiro pesadelo!!!!! Fiquei em pânico total! Sei que a essa altura eu estava sendo monitorada até pelo chefe do anestesista. O que estava acontecendo? E o meu filho? Naquele momento eu tinha a certeza de que ficaria sem poder falar para o resto da vida! O mais angustiante foi quando me dei conta de que o cardiotoco que monitorava os batimentos cardiacos do Levi mostrava que os batimentos estavam baixando muito, parecia que o coraçãozinho dele iria parar a qualquer momento! Eu queria gritar!!!!!! Era a vida do meu filho em jogo! “Vocês estão ouvindo? Meu filho, salvem meu filho!!!!!!” Nossa, mesmo babando (porque era a única coisa que eu conseguia fazer no momento) rezei todas as orações que eu conheço até que alguém percebeu que eu estava ainda mais apavorada pelo Levi e me explicou que durante as contrações é normal baixar drasticamente os batimentos do bebê. O que estava acontecendo era que, devido a anestesia, eu não sentia as contrações, e sem saber que os batimentos diminuiam, eu me apavorei. Ufa! Pelo menos isso. Fui me acalmando ao saber que o Levi estava bem.

Me lembro de ver a Thaís sentada num cantinho orando. Me lembro dos olhares do Dr. Alberto, das enfermeiras e do pediatra que tentavam disfarçar a tensão de alguma maneira. Me lembro do olhar do Marcelo tentando me acalmar e me dar forças. Me lembro de pedir muito a Deus pela saúde do Levi e minha também para que eu não tivesse nenhuma sequela.

Não sei quanto tempo se passou (uma eternidade pra mim), mas aos poucos fui conseguindo engolir saliva e voltar a falar! Caramba!!!!!! Que pesadelo!!!!! Meu Deus!!!!! O chefe do anestesista ficou bem aliviado, enquanto que o..............cadê o anestesista que me fez passar por tudo isso? Pois é, sumiu.

Enfim, depois disso tudo meu filho ainda iria nascer! Eu tinha que me recuperar e ganhar forças para empurra-lo. Dr. Alberto chamou uma enfermeira muito bacana para me ajudar a trazer o Levi, acho que seu nome é Marcia. Me senti num filme. Ela me explicando como e quando eu teria que fazer a força. Foram muitas e muitas tentativas mas ainda estava beeeeem difícil! A posição da cama era favorável ao parto, semi sentada, quase vertical, mas mesmo assim demorou. Foi preciso agir rápido! E para a minha enorme surpresa, de uma maneira muito muito sutil, o Dr. Alberto desmontou as pás do forceps para ajudar a encaixar o Levi, só para aliviar um pouco, já que ele não descia de jeito nenhum. Pois é, eu achei que pelo forceps o Levi seria arrancado junto com a minha idéia de parto, mas não, o Dr. Alberto conseguiu apenas encaixa-lo. Ufa! Nisso a Thaís pegou um espelho e eu pude ver e sentir os cabelinhos do meu bebê!!!! Foi tão emocionante aquele momento! Tirei da memória tudo o que passei para ganhar mais forças e as 11:59 do dia 22 de março (bem no dia do meu aniversário) o Levi nasceu! Nasceu!!!!!! Ele demorou bastante porque tinha uma volta do cordão umbilical no pescoço.

Devido a urgência do momento o Marcelo não pôde cortar o cordão depois de parar de pulsar e imediatamente o Levi precisou ser aspirado porque além da circular no pescoço ele ainda tinha feito cocô. Isso tudo serviu para comprovar que tanto cordão enrolado no pescoço como mecônio não são motivos para uma cesariana! E outra coisa boa, só depois fui descobrir que permaneci com o perineo íntegro. O epi-no e as massagens foram essenciais! Que noticia ótima!

Minutos depois de nascer é que o Levi foi dar o seu primeiro resmungo. Não foi um choro não. Acredito que mesmo depois de ele ter passado por tudo isso, nasceu bem e feliz! O pediatra de plantão foi muito sensato e não fez nenhum procedimento invasivo.

Em pouquíssimos minutos pude abraçar meu filho! Que momento maravilhoso!!!! Ele chegou bem miudinho, pesando 2,5 kg e com 48 cm. Veio direto no meu peito com uns olhos bem abertos e tranquilo! Me lembro muito bem que ele ficou passando sua minúscula mãozinha na minha boca como que querendo me acalmar, e depois, repetiu o gesto de carinho no meu braço enquanto mamava. Ele estava muito sereno, muito feliz! E eu mais ainda!!!!! O Marcelo não se aguentava de tanta emoção! Nunca mais vou me esquecer desse momento. Ficamos nós três nos namorando por mais de horas ali.

Depois que o Levi precisou ir para o berçário, a enfermeira me ajudou a sentar para eu me alimentar pois estava mais do que faminta, porém, assim que me sentei senti outra martelada bem forte na cabeça! Meu Deus, ainda preciso disso!!! Que anestesia maldita foi essa? Novamente o chefe do anestesista voltou e me explicou o ocorrido: a meninge foi perfurada e um novo procedimento seria necessário para passar as dores de cabeça. Pois é, eu já parecia uma peneira. Devido ao trauma, me deram um sedativo para perfurar novamente a coluna e “estancar o buraco” num procedimento chamado “blood pet”. Acordei enfim desse pesadelo!

Bom, certamente não foram propositais as inumeras falhas do anestesista mas se pelo menos ele tivesse pedido desculpas ou se tivesse o mínimo interesse pelo meu estado seria menos pior. O fato é que estou com um grande trauma de anestesias na coluna e não sei se consigo encarar mais uma. Enfim, meu filho graças a Deus está muito saudável e isso é o mais importante! Aprendi que mesmo fazendo mil planos para o momento do parto, cada parto é único e definitivamente não é possível programar nada. Eu sonhava em ter meu filho na banheira mas hoje vejo que seria impossível naquelas condições. Mas foi maravilhoso do jeito que foi e certamente eu passaria por tudo novamente, exceto a anestesia.