Relatos de Parto sem Medo

Luciana

A ideia do parto natural surgiu antes da minha gestação. Eu queria engravidar, estava preparada para as mudanças no meu corpo, mas não suportava pensar que seria cortada numa cesariana ou mesmo no parto normal (episiotomia). “Não queria que me cortassem sem necessidade”. Para minha alegria, pesquisando na internet, descobri a existência de um parto sem cortes e com o mínimo de intervenção médica/hospitalar e medicamentosa: o parto natural humanizado.

A partir daí teve início minha busca por um obstetra comprometido com a humanização dos partos, a fim de que meus desejos e necessidades fossem atendidos. Então conversei com meu ginecologista/obstetra na época, perguntei o que ele achava do parto natural e ele me respondeu que a medicina já havia evoluído demais para eu querer sentir dor, disse ainda, que o corte do períneo (episiotomia) era sempre necessário. Esta não era a resposta que eu queria, mas a que eu precisava para trocar de médico.

Enfim grávida, marquei uma consulta com o Dr. Alberto Guimarães, indicado em uma lista da internet dentre os pouquíssimos obstetras humanizados na cidade de São Paulo, me convenci de que ele seria meu obstetra logo na primeira consulta quando afirmou, com muita segurança e simplicidade, que não marcava cesarianas e caso eu quisesse um parto cesáreo me indicaria um colega, disse também que a episiotomia era um procedimento ultrapassado. Me enchi de esperança, encontrei o que buscava, era o primeiro passo rumo à minha ideia inicial, mas não era tudo, sabia que o parto natural era um parto ativo, eu faria meu próprio parto, o obstetra somente acompanharia e interviria se necessário, então passei a me preparar para o grande dia, continuei a praticar, moderadamente, as atividades físicas que já praticava, iniciei a yoga para gestantes, frequentei palestras sobre parto humanizado, li sobre o assunto, tive o apoio do meu marido, pratiquei o epi-no. Escolhi ser protagonista do meu parto, e foi assim, da primeira à última contração!

Entrei em trabalho de parto com quarenta semanas e quatro dias de gestação. Neste mesmo dia passei em consulta, foi realizado exame de toque, eu estava com 2 cm de dilatação e minha bebê perfeitamente posicionada. Saí do consultório por volta das 14hs sentido leves pontadas de cólica. Somente por volta das 18hs a sensação de cólica se tornou mais forte e contínua, resolvi tomar um banho e me deitar um pouco pensando que passaria, mas saí do banho sentido também dores lombares e um misto de cólica uterina e intestinal, evacuei. Depois disto, por volta das 20hs comecei a perceber as contrações espaçadas de 13min a 10 min, tinha fome, comi um iogurte e algumas colheradas de mel que me deram energia para suportar as contrações cada vez mais intensas e frequentes durante as quais ficava de pé com o tronco inclinado para frente e as mãos apoiadas na parede, nos intervalos relaxava andando pela casa. Aproximadamente 1h 30min depois comecei a sangrar, era o colo do útero se abrindo, a doula chegou em seguida e sugeriu que eu tomasse um banho, a água quente e as massagens aliviaram muito as dores, fiquei no chuveiro por mais de 1h e só sai para evacuar, enquanto fazia força no sanitário secretei também o restante do tampão mucoso que já vinha saindo em partes há duas semanas. Posso dizer que as contrações naturais, não induzidas, são perfeitamente suportáveis, nosso corpo de mulher é preparado para senti-las, o maior desafio é controlar a mente, viver cada contração a seu tempo, uma de cada vez, sem pensar em todas que ainda virão, lembrando sempre que elas passam e que você terá o momento seguinte para se recuperar.

Cheguei na maternidade do São Luís às 24hs, com dilatação total (isto só foi possível graças ao acompanhamento experiente da doula Thaís Bárral), as contrações ficaram mais espaçadas e menos doloridas, agora sentia uma grande vontade de fazer força, era o início do período expulsivo, na minha opinião o mais difícil foi encontrar a posição para fazer a força de expulsão, cada mulher encontrará a sua a seu tempo, eu acabei parindo de cócoras, agachada com o tronco inclinado para frente segurando na base da cama, puro instinto!

Hoje sei que o parto natural é muito mais do que um parto sem cortes, é a oportunidade de vivenciar uma experiência única, de ser mulher em sua plenitude, desempenhando ativamente o papel que a natureza nos confiou com exclusividade: dar à luz! Acreditem, nós podemos, nós temos a Força para gestar e parir nossos filhos!

Aline Rossi

Minha bebê dorme profundamente, com dois meses de vida. Venho escrever meu relato de parto, após ver as fotos desse dia tão emocionante.

Minha DPP era 23/04/2014. Dia de São Jorge. Embora não seja devota (mas sou corintiana!), o dia desse santo é marcante para mim, pois já aconteceram diversas coisas importantes comigo nessa data.

Tinha consulta com Dr. Alberto, obstetra que me atendia, nesse dia, na parte da manhã. A secretária me ligou para avisar que ele tinha ido acompanhar um parto e não poderia atender. Sugeriu remarcar para outro dia, mas eu pedi para ser no mesmo dia mais tarde, pois já estava com mais de 40 semanas de gestação. Ela conseguiu.

No período da tarde, minha mãe foi comigo à consulta. O consultório estava lotado e tivemos que esperar em pé no corredor. Encontramos a Ju, obstetriz que trabalha com Dr. Alberto e também acompanharia meu parto, e conversamos rapidamente.

Enfim, depois de uma boa espera, fui atendida. Dr. Alberto, como sempre, gentil e de bom humor. Fez ultra e o primeiro exame de toque de todo o pré-natal. Nenê posicionada e 1 cm. de dilatação. Fiquei feliz! Tive contrações no consultório. As danadinhas já vinham dando as caras, mas eram fracas e bem espaçadas. Ele orientou a deixar uma consulta marcada para a semana seguinte, mas disse que qualquer coisa a gente se encontrava antes, na maternidade!! Minha mãe perguntou se podíamos sair para comer naquela noite, ele disse para irmos tranquilamente.

Pegamos um táxi e fomos a uma padaria deliciosa, perto da casa da minha mãe. Ela perguntou se eu queria o buffet de sopas e caldos, mas eu disse que não, que queria um lanche. Comi um belo x-egg salada (bem diferente da alimentação balanceada e acompanhada por nutricionista que segui durante toda a gestação!). Disse a ela que eu achava que jamais me esqueceria daquele lanche e chorei. Uma dorzinha na barriga foi ficando mais forte.

Pegamos outro táxi, que a deixou em casa e me trouxe para a minha. Isso já era umas 10 da noite, marido me esperava. Conversamos um pouco e fui tomar um banho. Uma dor incômoda na costela... Conversei com a Stellinha, achava que era ela me chutando. Me vesti e fomos dormir.

Durante a noite, alguns incômodos na barriga, mas como durmo bem, coloquei um travesseiro para apoiar a pança, virei para o outro lado e dormi de novo! Isso aconteceu umas 3 vezes durante à noite.

Acordei às 6:30, com vontade de ir ao banheiro. Senti algo úmido. Sentei no vaso e percebi que saia água. Dali mesmo comecei a chamar o Luis, dizendo: “Querido, acho que a bolsa estourou!”. Coitado, levantou na hora, rs!!!

Mandei mensagem para a Ju e para a Thais (doula). Depois de um tempo, liguei para a Ju, que me orientou a contar as contrações e falar com a Thais. Falei com ela, que viria para minha casa em seguida. Tomei um banho, segurando no suporte de shampoo durante as contrações, haha.

Ficamos eu, Luis, Rita (que nos ajuda em casa), Thais e Chico (meu cachorrinho).Thais fez um monte de coisa bacana, aromaterapia, escalda-pés, me deu homeopatia, conversou comigo e me passou muita tranquilidade. Consegui comer umas torradas e tomar um chá.

Lá pelas 11, as contrações já tinham se intensificado e fomos para o hospital (São Luiz Itaim). Minha mãe me ligou no caminho, no meio de uma contração! Foi assim que ela soube que eu tinha entrado em trabalho de parto!!! Chegando lá, a Ju nos encontrou. Luis e Thais foram para a recepção cuidar da burocracia e eu fui ser examinada. 4 para 5 cms. de dilatação, eba! Fomos para a delivery room, para parto normal.

Luis demorou para poder subir. O dia 24/04/2014, cheio de 4, fez um monte de gente agendar cesárea, além de ter um feriado na semana seguinte, e não tinha quarto disponível. Mas como eu estava em franco trabalho de parto, tiveram que me aceitar. Ele foi para a delivery ainda sem assinar a internação, pela indisponibilidade de quartos.

Eu estava na bola de pilates, já na partolândia. Fiquei ali um bom tempo e chegava a cochilar entre as contrações. A lombar já não parava de doer nem nos intervalos. Ju perguntou se eu queria ir para a banheira e eu disse que sim. Nossa, foi maravilhoso! Me relaxou demais!! E o resultado foi que a Stella desceu mais. Sentia muita pressão, Ju me examinou, 9 cms. de dilatação. Fiquei mega contente!!! Meu marido ficava ao meu lado o tempo todo, conversando e fazendo carinho.

Fiquei ali mais um tempo, mas estava ruim para a Ju ouvir o coração da pequena. Saí um pouquinho, mas não quis voltar. Comecei a tentar posições para o expulsivo e a melhor foi de cócoras, apoiada na banqueta, em cima da cama. Dr. Alberto, que tinha pegado um mega trânsito, chegou. Novo exame e 10 cms. de dilatação!!! Muita pressão e vontade de fazer força. Agarrei o Luis com o braço direito e a Thais com o esquerdo. Nas contrações, fazia força. Falei então para a Stella que ela podia vir, que eu estava pronta. Me disseram que a cabecinha estava saindo e me perguntaram se eu queria por a mão. Claro que sim! Fiz o primeiro carinho na cabecinha da minha filha!!!

A cabecinha saiu e depois de mais algumas contrações, o corpinho. 15:44. Dr. Alberto a aparou e me entregou. E eu jamais me esquecerei desse momento em que nos conhecemos e uma família se formou. Já não havia mais dor alguma, só uma enorme euforia!!!

Depois de alguns minutos, Dr. Alberto cortou o cordão (Luis não quis, estava agarrado com a gente). A placenta saiu, a Ju nos mostrou. Gratidão por ela, por ter nutrido minha filha. Stellinha mamou na primeira hora de vida. Depois foi para o colo do papai, pois tive uma pequena laceração e precisei levar alguns pontinhos. Somente depois disso, a pediatra a examinou. Não recebeu colírio, como pedimos. Foi tratada com carinho.

O único porém foi a dificuldade em conseguir o quarto. Ficamos na delivery até 10 da noite, sem poder receber visitas. Mas minha pequena ficou junto comigo o tempo todo.

E desde então, não nos desgrudamos nunca mais.

Relatos de um Parto sem Medo

Aretha Mergulhão

Depois de 18h de trabalho de parto Benjamin chegou, no dia 20/11, mostrando pra mim que o controle da vida não está nas minhas mãos e nem na de ninguém.

Muita coisa saiu diferente do que tinha planejado sim, mas o meu objetivo principal, que era esperar seu tempo de vir ao mundo e fazê-lo chegar nele da melhor maneira possível foi cumprido.

Obrigada, antigo obstetra, por me dizer que ser diabética tipo 1 não me permitiria esperar meu filho nascer no momento dele e que ele não poderia passar de 38 semanas de gestação. Isso me fez buscar informação e descobrir que além de esperar o tempo dele eu poderia sim enfrentar as horas que antecederam seu nascimento e curtir a chegada ao mundo do meu pequeno de 4.780kg e 55cm, em um inesquecível parto normal!

Obrigada, esse sim de verdade, a equipe do Parto sem Medo, Dr Alberto Jorge Guimarães, a obstetriz  Juliana Freitas  e a doula  Thais M. Bárrall  que estiveram comigo nessas longas, porém mais que recompensadoras 18h. Me ajudando a enfrentar as dores, cansaço e ansiedade que surgiam com o passar das horas. Ainda bem que no mundo existem pessoas dispostas a realizar um trabalho especial, tornando um momento incrível uma experiência ainda mais sublime.

Ao Lucas Patricio eu não sou nem capaz de explicar o tamanho do meu agradecimento. Por estar do meu lado ao longo desses 9 meses, apoiando minhas decisões e no final de tudo me emocionando com um depoimento que conseguiu descrever melhor do que eu mesma o que foi essa transformação nas nossas vidas, principalmente na longa reta final dos dias 19 e 20.

Obrigada aos amigos pelas mensagens deixadas e por todas as boas vibrações que vocês têm mandado pra gente! O discurso de ganhadora do Oscar acabou, mas o prêmio que eu recebi vai deixar essa sensação de satisfação pra sempre.

Damiana

A nossa Manuela chegou dia 02/08/2014 as 4:36 da manhã por meio de uma cesariana necessária após cerca de 13 horas de trabalho de parto.

Era assim que eu tinha planejado? Não, não era. Planejei um parto natural, na banheira, com a Manu nascendo e vindo para os nossos braços igualzinho o encarte promocional do filme renascimento do parto.

Mas a minha filha, que me ensina uma coisa nova todo dia, me ensinou durante o seu parto que para as melhores coisas da vida não tem como planejar o começo, meio e fim.

Quando fiz 42 semanas de gestação decidimos em parceria com a equipe induzir o parto normal (depois de muitas tentativas menos invasivas de indução). Chegamos na maternidade as 10 da manhã e já no final da tarde eu comecei a sentir as primeiras contrações.

Como entramos em trabalho de parto por meio de medicamentos, as contrações não vinham tão espaçadas quanto eu desejaria e em pouco tempo eu já estava na partolândia.

Que delícia que é a partolândia. Lá você não se importa em demonstrar sentimentos, emoções, gritar e chorar um monte.

Lembro de falar pra minha doula e pra obstetriz: "Que sacanagem, me falaram que tinha tempo de descansar entre as contrações, quero dormir!!!" Depois de falar isso milagrosamente conseguia dormir e até sonhar por 30 seg ou 1 min que era o tempo que duravam os meus intervalos.

Na partolândia fiquei por umas 7 ou 8 horas (pelo que me disseram... Lá não tem relógio e nem calendário) até que chegou a hora do expulsivo.

No expulsivo fiquei por umas 4 horas. Lembro de rezar, imaginar praias, viagens, ganhar palavras de carinho e incentivo da equipe e do meu marido. Sentíamos a cabecinha da Manu o que dava força pra continuar, mas ela não descia. Na ultima meia hora, pedi analgesia não tinha mais forças.

A analgesia me ajudou a ter força por mais meia hora, parei de sentir dor, mas também parei de sentir as contrações e tinha dificuldade de direcionar a força. Mesmo com incentivo de todo mundo, a bebê não vinha foi aí que o obstetra nos disse que ela estava mal posicionada, possivelmente defletida e sugeriu a cesariana.

Foi um momento muito difícil pra mim e para o Vini, mas ao mesmo tempo transformador. Ele chorava e me dizia que era injusto, que eu tinha sofrido tanto pra acabar na cesariana que eu não queria... Me pedia desculpas por não ter demonstrado tanta confiança em alguns momentos do trabalho de parto... E dizia que o que eu tinha feito naquela noite ele nunca ia esquecer, que a força que ele viu em mim nunca imaginou que pudesse existir no mundo... Amei mais ainda aquele homem.

Tomamos a decisão. Não chorei. Não era necessário. Olhei bem nos olhos do pai da minha filha, do meu amor e falei que não tinha passado por nenhum sofrimento, que eu tinha tido tudo o que eu desejei... Entrei em trabalho de parto, tive contrações, gritei, chorei, ri e com tudo isso minha menina pôde saber que a hora dela chegar estava próxima... Vamos para o centro cirúrgico... Vamos conhecer a Manuela.

A equipe foi incrível e fez com que a cesárea fosse mais humanizada possível. Minha Manu não sofreu nenhuma intervenção desnecessária, não fui amarrada, depois que ela saiu da barriga ficou no nosso colo o tempo todo e a primeira hora de vida dela foi bem juntinho da gente mamando bastante.

O nascimento da minha filha foi o melhor momento da minha vida, agradeço à nossa família e amigos pelo apoio, à Clodine Jany Teixeira que me apresentou ao parto humanizado, aos nossos amigos sempre presentes, aos grupos parto nosso, roda gestante, nove luas, ao gama e à commadre, ao filme renascimento do parto, à todas as mulheres que contaram a sua história de partos humanizados e inspiraram minha busca, à Juliana, Thais e Dr Alberto da equipe Parto sem Medo, à Glenda, Carol e Luiza pediatras que nos acompanharam no parto e pós parto e à minha doula Thielly.

Agradeço especialmente ao meu marido e à minha filha.

Vini vc é um homem maravilhoso que está sempre ao meu lado. Vc foi marido, doulo, médico, enfermeiro e acima de tudo meu parceiro em todo processo. Vc é o meu amor da vida. À você Manuela, minha filha, sou grata por ter me escolhido como mãe e por você ser uma filha tão incrível. Amo vocês tão grande que me emociona. Vcs dão sentido à minha vida.

Relatos de um Parto sem Medo

Fabilene Nogueira

Depois de tanta curiosidade e pedidos para que eu relatasse meu parto, resolvi fazê-lo para guardar este momento e quem sabe desmistificar e informar outras amigas, e ratificar para as adeptas! Farei tudo de novo se tivermos mais frutos!...

Vou relatar aqui o nascimento de meu filho Afonso, que nasceu em 12 de junho de 2014, as 23hs, com 2,9 kg e 49 cm por parto natural humanizado.

Analisando hoje o meu trabalho de parto, afirmo que o mesmo nos preparou para sermos família, porque através dele nasceu uma mãe forte e paciente, um pai cooperativo e ativo e um filho intrinsecamente ligado à seus pais, uma criança segura, risonha e feliz. A escolha...

Eu e meu marido Alex planejamos a vinda de nosso filho, então quando chegou o momento, começamos as tentativa para ficarmos grávidos, e logo que recebemos a boa nova, que havíamos engravidado, pensamos em parto normal, porém nunca havia passado pela minha cabeça como eu gostaria de ter um parto, e instintivamente desejei parto normal, desde então buscamos informações e devido ao cenário brasileiro, resolvemos que o melhor seria achar uma equipe que fizesse parto natural humanizado, para fugir da cesária eletiva e da violência obstétrica.

A equipe...

Depois de minha GO me dizer que fazia somente parto vaginal com todas as intervenções possíveis e imagináveis, resolvi buscar outro profissional para o pré natal, e depois de muita busca, encontramos o Dr. Alberto Guimarães e sua equipe do Parto sem Medo, Thaís Barral Doula e Juliana Freitas Obstetra, marcamos uma consulta e amamos, sentimos que era exatamente o que procurávamos, uma equipe especializada em parto natural humanizado que nos apoiaria e nos traria segurança para alcançar o que desejávamos.

Os 9 meses...

A partir daí através dos conhecimentos passados a nós pela equipe, me preparei fisicamente e pisicologicamente, fiz hidroginástica, pilates focado em fisioterapia para períneo, massagens no períneo, trabalhei a respiração com bola de pilates, meditação, auto afirmação, fiz um curso intensivo que além de falar dos estágios da gravidez e cuidados com o bebê, muito útil por sinal, nos informou sobre todos os tipos de parto e nos trouxe o conhecimento de todas as fases de trabalho de parto, através disto trabalhei meu auto controle, tudo com participação do marido. Passamos 9 meses nos preparando e juntos traçamos o Plano de Parto.

Uma semana antes...

Nos dias anteriores ao parto, eu e o Alex, compramos e estocamos produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica, mantimentos para café da manhã, preparamos e congelamos em porções individuais verduras e legumes branquiados, feijão, carnes variadas, canja, sopa, deste modo não foi preciso sair muito de casa e as refeições foram rapidamente preparadas durante os 45 dias após o parto, tornando tudo mais fácil.

O trabalho de parto...

No dia 11/06, quarta feira, fiz todas as atividades de costume, fui ao supermercado, e como a copa começaria no dia seguinte, fui comprar decoração do tema para enfeitar a casa, chegando em casa preparei o jantar e fui buscar o Alex, depois jantamos, decoramos a casa e as 23hs fomos deitar, as 23hs30min, senti uma pressão seguida de um estalo dentro de mim, fui ao banheiro e vi que a bolsa havia rompido, sorri muito e fui dar a notícia ao pai que dormia, chamei-o e ele nem deu muita bola, quando disse que a bolsa havia estourado ele literalmente pulou da cama dizendo "meu filho vai nascer" e juntos sorrimos, porque enfim conheceríamos o Afonso. Fiz contato com a Thaís e a Juliana que me aconselharam voltar a dormir já que eu não estava sentindo nada, tão logo o Alex terminou de arrumar sua mala e colocar tudo no carro, voltamos pra cama. As 6hs da manhã acordei com uma cólica leve e contrações ritmadas, fiz a contagem durante uma hora e enviei pra Juliana, como ela não sabia se eu já tinha alguma dilatação, e como era dia da abertura da copa do mundo e o estádio onde haveria a festa de abertura e o primeiro jogo da seleção ficava entre minha casa e o Hospital em São Paulo, ela sugeriu que eu tomasse café e banho e fosse ao hospital onde a equipe me avaliaria. Lá pelas 10hs da manhã chegamos no hospital, enquanto o Alex dava entrada nos papéis deinternação, aguardávamos a doula Thaís chegar, logo que ela chegou, passei na triagem para avaliação, e a médica confirmou que a bolsa estava rompida e que eu tinha 2cm de dilatação, então fomos para o quarto e lá ficamos eu, meu marido, minha mãe e a Doula, depois a Juliana chegou e mais tarde um pouco, o Dr. Alberto para me avaliar, como eu ainda estava com 2cm ele saiu para voltar mais tarde, fiquei com meus parentes e com a Juliana que sempre auscultava o coração do meu Afonso, que ficou bem durante todo o trabalho de parto, e a Thaís que me dava apoio sobre posições, as milagrosas homeopatias, me aquecia, me dava colo junto com meu "Doulo Mor" codinome "Maridão", que me segurava nas posições, me dava comida, apertava minha mão, me confortava com seus carinhos e seus olhares, sem arredar pé do meu lado literalmente, depois de 22hs de trabalho de parto eu estava com 8cm, cansada, e então depois de caminhar, ficar deitada, agachada, de quatro apoios e debaixo do chuveiro, agora já não tinha mais posição de alívio, nem intervalos entre as contrações, então mantive o foco na respiração e aceitei a ocitocina oferecida pelo Dr Alberto para acelerar a dilatação, nestas últimas 2 horas, tempo que demorou para eu dilatar os últimos 2cm, fiquei sentada na banqueta, com as costas apoiada em meu marido, com a Ju massageando minha barriga ajudando o bebe a virar e descer e auscultando seu coração, o Dr entre minhas pernas também ajudando o Afonso a descer e ritmando a minha força junto as contrações, e eu em transe, não sentia e via mais nada, só escutava as vozes, e principalmente de meu marido ao pé do ouvido com carinho, que me deu a força necessária pra fazer o Afonso descer, neste momento fui transferida do quarto para o centro cirúrgico, nem sei explicar como subi na maca e os dois andares do hospital, sei sim, em transe, chegando no centro obstétrico só sentia vontade de fazer força, então por instinto, perguntei para o doutor se eu poderia fazer força, meu marido do meu lado segurando minhas costas completou, "força para nosso filho nascer amor, tá quase lá" e ao sinal positivo do Dr, como leoa, fiz a primeira força compriiiiiida e o Afonso coroou, o maridão foi lá pra ver, e eu só queria fazer mais força, mas estava tomando fôlego e então o maridão voltou dizendo que o Afonso era muito cabeludo e então fiz a segunda e última força compriiiiida e senti meu filho escorregar pra fora de mim e enfim segurei-o em meus braços, freneticamente meu coração pulsou, chorava e ria junto olhando nos olhinhos que me espiava quietinho, meu Deus que momento, ficamos ali eu, ele e o papai, deslumbrados, felizes e eufóricos até o cordão parar de pulsar e ser cortado pelo papai, só chorou quando foi tirado do meu colo para ser examinado e parou quando voltou aos meus braços enquanto a placenta saia, depois de tudo, 30 minutos depois, estava tomando banho em pé sozinha no banheiro do quarto, e assim que terminei e me aprontei, meu bebe veio pro quarto e mamou de primeira! Ficamos e somos hj muito felizes com o jeito que escolhemos de trazer nosso Afonso ao mundo!

Somos uma família de "liga" que passou por um treinamento natural para sê-la!

Relatos de um Parto sem Medo

Sheila Ferreira

Relatos de um Parto sem Medo

Maio de 2014

O parto da Clara foi um ato de fé, amor e coragem e colocou á baixo alguns paradigmas da medicina dita “moderna”.

O próprio Dr. Alberto disse: Clara você chegou quebrando barreiras!

Aos 45 anos de idade e com uma cesárea anterior de doze anos eu e meu marido procurávamos um lugar onde poderíamos ser acolhidos, um lugar onde pudéssemos tirar nossas dúvidas, saber mais sobre o assunto e para aí saber até onde poderíamos ir.

Eu já desconfiava que meu primeiro parto havia sido atropelado por decisões alheias a minha vontade eu sem informação acabei aceitando a situação.

Chegamos ao consultório do Dr. Alberto já grávida de alguns meses e ansiosos pelo que ele diria e saber se de fato poderíamos seguir em frente na decisão do parto normal.

A frase que ouvíamos sempre era: “Ah..é mais prudente e seguro neste caso uma cesárea sem riscos para a mãe e o bebê.”

Pois é, quem disse que cesárea é seguro? Que não existe riscos. É uma cirurgia e toda cirurgia tem riscos.

Encontramos no consultório do Dr. Alberto um lugar que nos assessorou o tempo todo, informando, tirando as dúvidas e ouvindo muitos depoimentos.

É claro que ao longo da gestação muitas dúvidas surgiram, ponderamos e cuidamos do pré-natal com cuidado e sem desespero.

Nas reuniões mensais podíamos tirar as dúvidas que surgiam e cada vez mais ficávamos fortalecidos e decididos.

Foi um período onde pudemos nos dedicar ao assunto, lendo, estudando, trocando experiências e cada vez mais ficava claro que meu primeiro parto foi conduzido á cesárea sem necessidade.

Tive uma gestação excelente, sem intercorrências, sem enjôos, o peso ideal e a pressão normal.

O nosso desejo era chegar ao parto normal mas sempre conscientes que se fosse necessário os planos seriam mudados.

Já estava na quadragésima primeira semana e as pessoas já faziam comentários sobre a” demora da chegada da Clara”.

Nós nos mantivemos firmes e amparados pela equipe toda.

Dia 10 de Novembro, um Domingo, comecei a me sentir estranha, as contrações estavam aumentando.

Amanheci na segunda-feira já sentindo mais frequentes as contrações daí ligamos para a Juliana e ela foi monitorando o andamento do quadro.

O quadro foi evoluindo até que começou um sangramento contínuo. Daí fomos para o hospital sob a orientação da Juliana.

Chegando lá ela acompanhou os exames necessários e finalmente fomos encaminhados para o quarto destinado aos partos normais.

Primeira batalha vencida!

Lá pude ter todo apoio da equipe, Taís e Juliana trabalharam bastante.

Juliana ia monitorando os batimentos cardíacos do bebê e a Taís ia fazendo massagens, acupuntura me alimentando e acalmando o ambiente.

Com muita paciência e sabedoria foram me estimulando e cuidando para que eu me sentisse bem. Ora na banheira, ora de pé, andando, agachando até que Dr. Alberto chegou.

Já era de manhã e eu estava bem cansada, as contrações bem próximas e as dores fortes.

Levantei-me da banheira em direção a cama e o DR. Alberto disse é agora. Eu havia pedido anestesia e ele com aquele jeito me disse que até que o anestesista chegasse a Clara já teria nascido.

Mais força, contrações, respirações, umbigo pra cima......e com o apoio do Vitor meu marido, das meninas e de toda sabedoria do Dr.Alberto, nossa Clara chegou às 7h06 do dia 12 de Novembro de 2013.

Linda!

Forte e amada!

Pesando 3,506k e medindo 52cm ela estava ótima e logo foi para meus braços.

O pai pôde cortar o cordão umbilical sem pressa e ali ficamos os três por uma hora , curtindo aquele momento, dando de mamar e descansando.

Assim realizamos nosso desejo.

Obrigada pela equipe toda, Dr. Alberto pela sabedoria e intuição.

Realmente não são todos os médicos que estão preparados para este tipo de situação, talvez seja por isso que não incentivem suas pacientes.

Obrigada pelo apoio do meu marido e seu amor dedicado.

Obrigada pelas minhas crias. Lindas!!!!!

Amo vocês