‘Escolher parto não é como escolher marca de sabão’, alerta obstetra sobre nova lei

Publicado em 26 de agosto de 2019 por

O parto cirúrgico sem indicação médica na rede pública de saúde foi sancionado pelo governador João Doria nesta sexta-feira (23). A nova lei garante a gestantes a opção de parto cesariano pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir da 39ª semana de gestação.

O Projeto de Lei é de iniciativa da deputada Janaína Paschoal (PSL). A medida foi aprovada após muitos debates na assembleia e a proposta teve 58 votos a favor e 20 contrários.

Por que o novo projeto preocupa

O Brasil possui a segunda maior taxa de cesáreas do mundo, com 55,6%. Enquanto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a taxa ideal deveria oscilar entre 10% e 15%.

Outro ponto preocupante com relação as cesáreas é o auto percentual no setor privado. A taxa de partos cirúrgicos do SUS é de 40%, já o número dos procedimentos realizados pelos planos de saúde chega a 84%.

‘Tipo de parto não é igual marca de sabão’

De acordo com o ginecologista e obstetra Alberto Guimarães, precursor do Parto sem Medo, o benefício do projeto seria poder, justamente, discutir essa questão do parto cesárea. “Um dos problemas é a impressão de que, se a mulher marcar a cesárea no SUS, o problema de saúde estará resolvido, mas, efetivamente, não estará, nem para o bebê nem para a gestante. Esse é o grande malefício da lei, sinalizar que, agora, está tudo resolvido porque a lei foi criada. É um reducionismo muito grande”, preocupa-se Alberto. “Além disso, estudos científicos mostram que o desfecho de uma gestação normal de um parto assistido é muito melhor que o da cesárea. É mais seguro no parto normal, não sou eu que estou dizendo, são estudos”, opina.

Segundo Alberto Guimarães, a escolha do tipo de parto deve ser responsável. “Não pode ser como quem chega no mercado para escolher a marca de sabão em pó. É muito mais sério”, complementa.

O parto cesariano por desejo materno é realidade no sistema privado de saúde para mulheres que estejam com 39 semanas completas. No ambiente privado, a gestante tem à disposição analgesia, exercícios e terapias para distração e diminuição do estresse e ansiedade. Ela é acompanhada pelo médico de confiança e enfermeiras. Já no SUS, ela segue protocolos assistenciais e tem a cesárea em casos de risco materno e fetal, não sendo opção da gestante o tipo de parto.

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