Gravidez Molar: o que é?

Publicado em 27 de agosto de 2019 por

Os sintomas da doença lembram muito os de uma gestação comum, mas o principal sinal de alerta é o aumento exagerado das taxas do hormônio beta HCG no sangue. Acompanhamento médico é fundamental para evitar complicações, que podem até evoluir para um tumor maligno

Ao notar aqueles dois tracinhos no teste de gravidez, a cabeça sai da Terra e volta. Há quem fique tão sem reação, que mal se lembra daquele momento. A descoberta de uma gestação é uma mistura de sentimentos. Porém, em alguns casos, o que era sonho pode se transformar em um problema: em vez do desenvolvimento de um bebê, a presença do beta HCG, detectada pelo teste, se deve ao crescimento de um tecido anormal, que, se não for diagnosticado a tempo, pode evoluir para um tumor maligno. É a chamada gravidez molar, doença causada pelo desequilíbrio genético, que acontece em uma a cada 200 a 400 gestações normais no Brasil, segundo estimativas da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

A gravidez molar tem sintomas muito semelhantes ao de uma gestação convencional. A principal diferença é que, na molar, o famoso hormônio da gravidez (Beta HCG) apresenta taxas muito mais altas que o normal. Também é comum ter sangramentos nas primeiras semanas, associados a vômitos constantes.

SINAIS DE ALERTA
O tamanho do útero, nos casos de gravidez molar, fica muito maior do que o esperado para uma gestação saudável. Porém, isso só pode ser verificado no ultrassom, que detecta também a aparência da formação de “bolinhas” no útero. Quando sobrepostas, essas bolinhas lembram um cacho de uva ou molas de um colchão – daí o nome da doença. “Assim como em uma gestação convencional, há o encontro do óvulo com o espermatozoide, mas o feto não se desenvolve. Ele pode até se formar durante as primeiras semanas, mas a proporção do tecido anormal é muito maior do que o próprio feto, impedindo seu crescimento”, explica o ginecologista e obstetra Alberto Guimarães, da Unifesp, e líder do Programa Parto Sem Medo. O médico explica que a doença é mais comum em mulheres abaixo dos 20 anos ou acima dos 40. “Não há uma explicação comprovada, mas há hipóteses de que nas mulheres mais novas, os gametas (células sexuais que se fundem no momento da fecundação) ainda não estariam maduros o suficiente. Já nas mais velhas, o envelhecimento do óvulo poderia estar envolvido no processo”, diz.

TRATAMENTO
A gravidez molar pode resultar num aborto espontâneo – nesses casos, geralmente nem dá tempo de descobrir que se tratava da doença –; caminhar para a curetagem – estima-se que 80% dos casos seja resolvido espontanemaente após esse esvaziamento uterino, que retira o tecido comprometido -; ou evoluir para complicações mais sérias, como tumor maligno, que acontece em cerca de 20% dos casos e necessita de tratamento quimioterápico. “Normalmente isso acontece quando não há o devido acompanhamento médico”, diz o médico.

Vale dizer que, mesmo apesar das evidências, a gravidez molar só é, de fato, diagnosticada quando o material retirado na curetagem é enviado para análise, juntamente com os dados do exame HCG. “E mesmo após o procedimento de retirada, é preciso acompanhamento médico durante meses, fazendo a dosagem do HCG no sangue regularmente para verificar se ainda há vestígios desse tecido no corpo da mulher”, explica o ginecologista. Daí a recomendação de, mesmo após um aborto espontâneo sem causas identificáveis, aguardar, no mínimo, seis meses para começar as novas tentativas de gravidez. Nos casos em que é comprovada a gravidez molar, o tempo de espera aumenta para um ano. “Essa recomendação se deve ao fato de uma nova gestação aumentar o HCG no organismo, aumentando os riscos de uma nova gravidez molar”, conclui o especialista.

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